A ‘regra do capitão’ nasceu como resposta a um problema antigo e recorrente: a insurreição recorrente dos jogadores contra os árbitros dentro de campo e a imagem que isso passa para o exterior. Foi introduzida na (aparentemente longínqua) época 2024/2025 e reforçada nas Leis do Jogo e nas orientações aos árbitros e aos restantes agentes desportivos na época seguinte (a atual). Não é uma moda, nem um detalhe regulamentar; é, sim, uma tentativa séria de devolver ordem, respeito e, acima de tudo, serenidade ao jogo. A ideia é simples: em momentos de maior tensão, apenas o capitão se pode dirigir ao árbitro para pedir esclarecimentos e deve fazê-lo com respeito. O objetivo não é calar jogadores nem criar distância; é organizar a comunicação e travar o ‘cerco’ ao árbitro, que tantas vezes transforma um lance discutível num episódio de histeria coletiva. No fundo, trata-se de ética aplicada: proteger quem decide, responsabilizar quem lidera e melhorar o ambiente dentro das quatro linhas. É importante acertar nos penáltis e nas expulsões. Mas sem foco, clareza e paz de espírito não se tomam boas decisões. A regra do capitão pode contribuir muito para esse foco. Queixamo-nos muitas vezes de que as Leis e os Regulamentos não protegem os árbitros e a arbitragem. Agora que existe uma regra criada claramente para os proteger… são, por vezes, os próprios árbitros que se esquecem de a aplicar. Têm-se esquecido demasiado. Não pode ser.