Na passada semana escrevi aqui sobre o meu papel como comentador especialista de arbitragem e sobre a forma como sou condicionado na visão e opiniões que tenho sobre a arbitragem no geral e sobre as atuações dos árbitros em particular. Hoje volto à temática, de forma mais alargada, não centrando a questão em mim ou no meu papel, mas sim naquilo que já são, hoje em dia, profissões a tempo inteiro para uns e atividades paralelas razoavelmente rentáveis para outros. Refiro-me às funções de comentador especialista de arbitragem na comunicação social e à de consultor/assessor especialista de arbitragem ao serviço dos clubes. Atualmente são já cerca de 12 os ex-árbitros a colaborar com jornais e canais de televisão de âmbito nacional na qualidade de especialistas de arbitragem. O número de ex-árbitros a colaborar de forma regular com clubes será mais reduzido e menos fácil de rastrear. Este grupo de ex-árbitros é bastante heterogéneo. Há quem tenha deixado o ativo há um mês e há quem tenha deixado de apitar há 25 anos. Há ex-árbitros internacionais, outros que nunca apitaram futebol profissional e há até quem apenas tenha feito carreira como árbitro assistente. Os critérios de escolha destes especialistas de arbitragem estão, natural e corretamente, nas mãos de quem os contrata: jornais, canais e clubes. Haverá quem prefira um ex-árbitro com mais currículo, outros preferem um com melhor imagem ou mais bem-falante, outros optam por alguém com uma imagem pública mais ‘limpa’ e haverá quem prefira um mais maleável.