Rigor e consistência

Proteger a integridade física dos jogadores, combatendo entradas muito perigosas, nomeadamente pés à zona da cabeça ou do peito, bem como entradas ‘à karaté’, foi um dos objetivos e das medidas em que o Conselho de Arbitragem decidiu focar-se esta época. Para isso, foram dadas indicações muito específicas aos árbitros no sentido de enquadrarem este tipo de abordagens como faltas grosseiras. Martín Fernández foi expulso por uma entrada sobre Thiago Silva (Gil Vicente-FC Porto) numa ação que, até à época passada, seria facilmente enquadrável como cartão amarelo, mas que hoje já ninguém discute dever ser punida com vermelho. Esta medida teve um mérito claro: depois de várias situações semelhantes no início da temporada, verificou-se uma redução significativa deste tipo de ações. Outra das medidas comunicadas como sendo para aplicar com rigor foi a ‘regra do capitão’. Já escrevi sobre o tema na semana passada e, infelizmente, não tem havido consistência na sua aplicação. Jornada após jornada, o comportamento dos capitães e dos restantes jogadores para com os árbitros tem vindo a piorar. Há ainda um aspeto que tem estado em foco na arbitragem e que considero ser um dos maiores problemas do nosso futebol, tanto pelo impacto no jogo como pelas discussões que gera: a facilidade e exagero de quedas nas áreas adversárias. As simulações e as quedas fáceis mereciam ser ‘atacadas’ com o mesmo rigor e consistência que as entradas perigosas. O futebol português teria muito a ganhar. Fica o desafio.

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