A propósito das exéquias do antigo presidente do FC Porto e dos concomitantes padecimentos do seu sucessor, permitam-me uma incursão pela obra de Alfred Hitchcock. Nos seus filmes, para salvar um herói em apuros, o realizador britânico utilizou muitas vezes a ferramenta da "diversão". Nas técnicas narrativas e não só, a "diversão" é o modo de desviar a atenção do facto dominante através de um facto artificialmente criado de modo a salvar um personagem em apuros. Hitchcock fez isso no filme 'Cortina Rasgada'. Paul Newman, sentado na plateia de um teatro à cunha, vê nas coxias a gente perigosa que o persegue e grita "fogo! fogo! fogo!", provocando uma debandada geral caótica e é assim que o "herói" se "safa" do perigo. No filme 'Intriga Internacional', Cary Grant, perseguido por um bando de malfeitores de alto coturno, refugia-se numa leiloeira em plena sessão e, vendo os bandidos na sala, cria uma diversão fazendo ofertas absurdas a cada lance até que os leiloeiros chamem a polícia que era, justamente, o que o protagonista pretendia para se 'safar'. "Por que demoraram tanto a chegar?" pergunta Cary Grant aos polícias. Hitchcock gostava de piadas nas cenas de maior suspense "para o público poder respirar".
