Milagre europeu

Não me refiro aos resultados que as equipas portuguesas conseguem em grandes jogos europeus, mas sim aos ‘novos’ jogadores que essas mesmas equipas apresentam. Quem anda atento ao comportamento dos jogadores no campeonato português não deixa de ficar perplexo quando os mesmos aparecem nas competições europeias completamente reeducados. Os milagres acontecem quando as multas são pesadas e os castigos não se limitam à vontadinha dos clubes. Os protestos desaparecem, a regra do capitão passa a ser respeitada e as caras feias são substituídas por carinhas de anjinhos, dignas de estarem num altar. O problema nunca foi da arbitragem, e muito menos dos árbitros, é do ambiente tóxico incutido aos adeptos e que os jogadores têm de alimentar para serem premiados como heróis. O jogador correto e respeitador não tem lugar no nosso futebol, é visto como fraco e sem a mística necessária para vingar num qualquer clube que luta por títulos. Alimentamos um futebol que premeia a simulação, onde os contactos e os toques transformam-se em infrações discutidas na praça pública como casos de arbitragem e onde os principais protagonistas são os presidentes dos clubes, que querem ser as estrelas do lamaçal. Nos jogos europeus tudo volta ao normal, os jogadores respeitam a sua profissão e os presidentes têm menos importância do que qualquer apanha-bolas.

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