Não é muito habitual utilizar este espaço para dar a minha opinião sobre assuntos que não estão diretamente ligados à arbitragem, mas a nova realidade do futebol português merece estas exceções. Na minha última crónica enalteci o gesto de Pepê e as declarações de Vítor Bruno defendendo o seu jogador. Esta semana tenho que referir Ruben Amorim, não pelo seu desempenho desportivo, mas sobretudo sobre o legado que deixa na forma, pouco habitual, de saber estar no desporto e no respeito que sempre manteve ao longo do seu percurso. Demonstrou que é possível ser ganhador sem adotar estilos hostis contra tudo e todos, inclusive para os árbitros. Ruben Amorim não é o único, estaria a ser injusto para outros treinadores, mas representar um dos grandes do futebol português, tem mais visibilidade e corre o risco de criar uma tendência que devia imperar no desporto. Os clubes deviam ser mais rigorosos na escolha dos seus treinadores, valorizando não só as qualidades técnicas, mas aumentar a exigência nas características humanas que defendam os valores éticos e morais no desporto. No fundo, eles são a cara mais visível de instituições que movimentam milhares de pessoas no mundo inteiro. Foi um orgulho como Português ver a repercussão mundial do gesto de Pepê, como é um orgulho ver Ruben Amorim a emigrar para um colosso mundial e levar consigo as qualidades humanas que demonstrou ter. Resta aumentar a competitividade e estaremos no bom caminho.