Exmo Dr. António Pires de Andrade,
Uma participação minha num programa televisivo no passado domingo teve o condão de nos ajudar a saber um pouco mais acerca das razões para a demissão do seu antecessor. Assumidamente contrariado por ter de dar mais justificações do que as que libertara no comunicado em que anunciava a sua demissão, assegurou que só um ingénuo acharia possível realizar uma Assembleia Geral extraordinária sem o apoio do Presidente da Direção. Tamanha extravagância, explicitou, "só no Império Centro-Africano".
Ora, digamos que não é preciso ir tão longe. Temos, por exemplo, o outro lado da Segunda Circular, que sempre fica um bocadinho antes de África, e onde, ainda há não tanto tempo assim, foi possível convocar várias Assembleias Gerais sem o apoio do Presidente da Direção.
É por isso, Dr. Pires de Andrade, que lhe dirijo esta missiva: para que não cometa os erros do seu antecessor.
Assim, tomo a liberdade de lhe endereçar algumas questões, às quais responderá se, quando e como entender (sendo que eu diria que, qualquer que elas sejam, devem ser dadas, pois os benfiquistas merecem respostas):
1. Em algum momento, algum elemento da atual direção do Benfica, em particular, o Presidente Rui Costa, se manifestou contra a realização da Assembleia Geral extraordinária? Ou essa resistência aconteceu somente da parte de Luís Filipe Vieira?
2. Até quando a situação pandémica que vivemos poderá ser usada como desculpa para a não realização da AG? Inúmeros eventos públicos, políticos e desportivos já decorrem há muito nestas condições – o Sporting festejou inclusivamente o título nas ruas. Devemos informar a Direção-geral de Saúde, mas não temos de lhe pedir autorização. Devemos ter um plano de contingência, mas não podemos continuar a bloquear a vida democrática do clube.
3. Uma eventual resistência da atual Direção poderia continuar a justificar um adiamento da AG? Não é admissível. Eu e um conjunto de sócios afirmamo-nos, desde já, disponíveis para financiar a logística necessária à realização da reunião magna do clube caso tal seja necessário. A AG foi solicitada em Abril. Não é aceitável continuar a protelá-la sine die.
Por fim, comunico-lhe, antecipadamente, que proporei um ponto adicional à ordem de trabalhos: levar ao Conselho Fiscal um pedido para a aprovação de uma auditoria externa forense à gestão recente do clube que acabe, depressa, com o clima de suspeição.
Independentemente de se apoiar esta ou anteriores direções do clube, este ou aquele movimento alternativo, todos devemos estar do mesmo lado: da transparência.
O Benfica não se esconde, o Benfica não faz guerra a ele mesmo, o Benfica não tem espaço para o medo.
Com os melhores cumprimentos,
Mauro Xavier, sócio 25768