O grande futebol e as pequenas misérias

1 Passei por cima de dois jogos do Sporting que coincidiam na hora com outros jogos que se anunciavam bem mais interessantes do que ver os leões a passearam na Áustria frente a um Sturm Graz que jogava a 150 kms do seu estádio e se preparava para encaixar conformadamente a décima derrota consecutiva em jogos da Champions, ou de um Famalicão também pronto para ser facilmente devorado às mãos de Gyökeres e demais leões à solta. Optei antes por seguir dois jogos do Real Madrid: o primeiro contra o Borussia Dortmund para a Champions e o segundo contra o Barça para o campeonato, ambos no novo Chamartin. Optei e não me arrependi, foram dois jogaços! No primeiro, o campeão europeu em título fez juz à sua fama na competição, voltando a virar o resultado de 0-2 ao intervalo para um 5-2 final, com a contribuição de um hack-trick de Vinícius Jr, que bem merecia ter sido consagrado o melhor jogador do mundo em 2024... se tem aparecido na cerimónia onde, afinal, foi Rodri o vencedor. Aliás, independentemente do espectáculo que a chuva de estrelas do Madrid proporciona, se houvesse fair-play desportivo a sério, não seria possível a um clube tão endividado apresentar um rol de executantes que inclui Courtois, Camavinga, Lucas Vasquéz, Éder Militão, Tchouaméni, Arda Guler, Modric, Rüdiger, Endrik, Vini Jr, Mbappé, Rodrygo e Jude Bellingham – uma autêntica galáxia! Eles deram volta à cabeça dos alemães na segunda parte, mas, quatro dias depois, contra o Barcelona, mesmo jogando em casa e com um dia de descanso a mais (o Barça vinha também de cilindrar o Bayern por 4-1), as coisas inverteram-se. Com cinco dos seis jogadores mais caros do mundo em campo, foram os miúdos do Barcelona a darem cabo das estrelas de Madrid, inflingindo-lhes uma real tareia por 4-0. Do lado dos da casa, brilhou pela negativa Mbappé, permanentemente em off-side e falhando quatro golos na cara do guarda-redes, o que não se admite para quem ganha um Euromilhões por ano para jogar à bola. Do lado dos visitantes, brilho especial para o bis de Lewandovsky, aos 37 anos de idade, a par da alegria contagiante do futebol de Lamine Yamal, tornando-se aos 17 anos o mais jovem de sempre a facturar num ‘El Clássico’. E isto sem esquecer a exuberância do ‘nosso’ Raphinha e do regresso em grande, depois de longa ausência, de Dani Olmo. Um ‘partidaço’! Domingo foi a vez de assistir a outro clássico, este do futebol italiano, um Inter-Juventus, que parecia decidido a 20 minutos do fim, com 4-2 para o Inter, mas acabou com um sensacional 4-4, depois de dois golos de um suplente então entrado: Yildiz, mais uma revelação da Turquia. Foram três jogos daqueles que fazem qualquer pessoa ficar apaixonada pelo futebol: ritmo alucinante, enorme qualidade técnica de todos, procura constante das balizas e 19 golos a dividir pelos três jogos!

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