O Pai Natal não dorme

1 - O enredo já estava escrito e semelhante ao dos últimos tempos: nem que fosse com o habitual golo redentor nos últimos minutos, o Benfica sairia da Vila das Aves com mais três pontos garantidos. E, a juntar ao também garantido triunfo na Madeira, passaria o Natal em primeiro lugar, tal como previsto por Rui Costa, subentendido por Bruno Lage e antecipado por todos os benfiquistas. A ninguém parecia de questionar que a recuperação classificativa do Benfica se tivesse ficado a dever essencialmente ao descalabro do Sporting pós-Amorim ou a uma série de últimas exibições – Arouca, Mónaco, Guimarães – em que as vitórias assentaram em decisões favoráveis de arbitragem ou destaques individuais, como os de Di Maria ou Trubin, mas não, de todo, em exibições recomendáveis. Nada disso, nenhuma análise fria, impedia o entusiasmo reinante nas hostes encarnadas e imprensa afecta, o que, para mim, não deixa de ser curioso e sintomático: vejo os benfiquistas aceitarem muito mais felizes os bons resultados e más exibições do que os portistas. O enredo estava pois escrito para mais um capítulo dessa felicidade sem mácula. Só se esqueceram de avisar o Pai Natal. E este, com tantos presentes e tanta justiça para distribuir pelo mundo, achou que o Benfica já tinha tido quanto bastasse. E assim, ultrapassando mais uma benesse da arbitragem e mais duas defesas de Trubin a adiar a justiça devida ao jogo das Aves, o Pai Natal interveio e ‘à Benfica’: com o golo do empate no último minuto dos descontos.

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