Na passada quarta-feira, o Porto tentava contrariar em Manchester uma estatística pesada que soma desde a época 1969/70. Dos vinte jogos realizados em Inglaterra, o doce da vitória nunca se fez sentir, e a derrota acompanhou a viagem de regresso por 17 vezes. Sérgio Conceição já havia obtido um empate a zeros contra o Liverpool, em 2017/18, mas no ano seguinte trouxe na bagagem uma derrota com dois golos sem reposta. Conceição mudou o sistema de jogo. Colocou em campo 3 centrais, dois jovens reforços (Zaidu e Sarr) e juntou Fábio Vieira aos titulares. A intenção era boa, uma parede forte no eixo da defesa, com os laterais subidos para contrariar o atrevimento do City nas suas laterais. Faltou talvez ponta-de- -lança. Faltou Taremi, que rende o mesmo no banco que um depósito a prazo, isto é, zero. O atleta que mais golo tem no currículo continua em quarentena no banco de suplentes. Foi assim em Manchester (entrou aos 77 minutos), em Alvalade (aos 91’) e contra o Marítimo (54’) em casa. Esta é talvez a única crítica que aponto ao treinador. Se contra o Marítimo Sérgio Conceição ficou desiludido com ele próprio, ao confiar em Alex Telles e Danilo (já de malas feitas para o estrangeiro), em Alvalade os jogadores desiludiram-no ao não terem uma agressividade positiva e concentração desde o primeiro ao último minuto. O extremo Anderson ainda hoje deve ter as orelhas a arder. Corrigidos estes problemas, os jogadores do Porto apresentaram-se em bom plano em Manchester. Preencheram espaços, taparam linhas de bola, tendo como espírito o contra-ataque em cada perda de bola do adversário. Os dois primeiros golos sofridos foram de bola parada, o que diz bem sobre as dificuldades sentidas pelos pupilos do grosseiro Guardiola. Toda a gente já percebeu que Pepe não devia ter feito o que fez no lance do penálti. Carga de anca não dá o mesmo direito que uma carga de ombro. Mas o problema não foi esse. Como é que é possível o árbitro de campo e os meninos do VAR não terem visto um pisão grosseiro sobre Marchesín nos momentos que antecederam a falta de Pepe? O VAR deu um pisão letal neste Porto. Cravou-lhe os ‘pitons’ de tal maneira que o Porto jamais se encontrou. Assim vai o futebol, lá fora e cá dentro. Se o VAR não é suficiente, qualquer dia contratam um coletivo de juízes para analisarem as duvidosas decisões do VAR. Um Supremo como nos Tribunais. Esta é uma profissão em ascensão. Haverá no futuro mais vagas para juiz de VAR do que para jogadores de campo. Vamos jogar ao pisa?