Nuno Félix

Nuno Félix Scout internacional

Arsenal: um gigante com nervos de barro

Tendo por ponto de partida as três derrotas do Arsenal na Premier League 2025/2026: 1–0 em Anfield com o Liverpool; 2–1 em Birmingham com o Aston Villa; e 2–3 em casa frente ao Manchester United, vemos, no fundo, o mesmo filme. Não falamos de uma equipa frágil, afinal de contas lidera destacada o melhor campeonato do mundo, mas de um conjunto que controla quase tudo… menos os momentos decisivos. Senão vejamos.

Em Liverpool, sem Bukayo Saka e com Martin Odegaard longe da melhor forma, o Arsenal apresentou-se compacto, mais preocupado em gerir ritmos e espaços do que em assumir o risco constante de ter a bola em zonas adiantadas. Resistiu ao ambiente, à lesão madrugadora de Saliba, emperrou o relógio o quanto pôde, mas, ao recusar ferir o adversário com um jogo com bola mais agressivo, aceitou viver no fio da navalha e acabou castigado por um único lance de grande qualidade individual do Liverpool. Em Birmingham, diante do Aston Villa, o filme mudou no enredo, mas não no desfecho. O Arsenal entrou bem, teve momentos de controlo e posse, mas não soube sair da armadilha quando o adversário o virou do avesso. As substituições da equipa da casa abriram o campo, extremos a esticar na largura, laterais interiores a cruzarem de curtas distâncias, avançados com um jogo sem bola feito de movimentos divergentes da zona central e os médios, esses sim, a aparecerem em zona de finalização. O bloco de Arteta, habituado a mandar no centro, perdeu o controle emocional da partida e deixou-se arrastar para um caos das segundas bolas, sem um plano B eficaz para reagir a partir do banco. 

Frente ao Manchester United, no Emirates, o guião teve três capítulos: domínio inicial, erro individual, e castigo derradeiro. O Arsenal teve fases de clara superioridade e posse territorial seguidas por falhas em construção, saídas mal geridas logo após os golos, e uma incapacidade gritante de reagir com a cabeça quando o jogo se incendiou.

O padrão é o que afasta o Arsenal de títulos há tanto tempo. É uma equipa cujo futebol floresce enquanto o jogo do adversário é mais previsível e o quadro tático corresponde às expectativas de Arteta, e sofre quando o jogo se deforma, quando a emoção atropela a organização, quando o adversário aceita não jogar bem durante uma hora para ser letal em dois ou três momentos. É precisamente aí que o Sporting de Rui Borges pode encontrar a brecha. Não tentando ser um Arsenal em ponto pequeno, mas assumindo o papel incómodo de quem estica a largura, força transições após perda e ataca, sobretudo, os minutos imediatamente a seguir a cada falha do adversário, fazendo com que os jogadores do Arsenal duvidem de si mesmos.  

Contra esta versão dos londrinos, não será necessário ser melhor durante noventa minutos, basta ser mais frio e agressivo no segundo em que o Arsenal deixar de ser ele próprio, porque este Arsenal não é sempre a mesma equipa ao longo de toda a partida. Aos pupilos de Artista falta-lhes o estofo de campeão, exactamente aquilo que o jogadores do Sporting demonstraram ter a dobrar ontem à noite. 

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