Há decisões que envelhecem mal. Trazer de volta Rafa Silva revela uma gravíssima incoerência estratégica!
Os factos são simples e, por isso mesmo, mais graves.
Rafa saiu da Luz a custo zero porque Rui Costa recusou pagar um prémio de renovação que considerou excessivo. Hoje, o mesmo presidente admite suportar um custo de aquisição, um salário mais elevado e, previsivelmente, um igualmente chorudo prémio de assinatura, para recuperar exatamente o mesmo jogador. Com algumas diferenças essenciais: o jogador envelheceu, não tem qualquer margem de valorização, e tem mesmo um valor de mercado objetivamente inferior (que não é indiferente às provas de falta de profissionalismo que deu ao forçar a saída da Turquia).
Em termos de gestão de ativos, esta operação não se consegue justificar. O Benfica recusou um investimento relativamente controlado num momento de máxima utilidade desportiva e opta agora por um desembolso globalmente superior, sem retorno patrimonial futuro, num momento desportivo em que se encontra a lutar por quase nada.
Ou seja: troca retenção estratégica por recompra tardia, um dos erros clássicos de qualquer organização que perde controle sobre os seus próprios ciclos de decisão.
A responsabilidade tem um rosto. Rui Costa. Foi o presidente que validou a saída sem retorno financeiro e é o mesmo que agora avaliza uma correção dispendiosa do erro que ele mesmo cometeu. Não se trata de contexto, nem de conjuntura. Trata-se de coerência de gestão. E, neste plano, ela falha em toda a linha.
O argumento desportivo — “Rafa faz falta” — longe de salvar esta decisão, agrava-a. Se fazia falta, a renovação era um imperativo estratégico. Se não fazia, o investimento atual é um erro ainda maior.
O Benfica consegue, assim, validar simultaneamente as duas críticas: falhou no passado e insiste em falhar no presente.
Este não é um julgamento sobre o valor do jogador. Rafa será certamente um reforço desportivo. O problema está no que este movimento de mercado diz sobre a gestão do Benfica. Um clube que se quer moderno, financeiramente disciplinado e estrategicamente competente, não pode tratar decisões estruturais para a composição do plantel, como se fossem remendos de mercado!
O Benfica recusou pagar menos quando devia e aceita pagar mais quando já não faz sentido!
É este o custo acumulado de uma decisão de não renovação com um jogador que era fulcral para o plantel. Foi uma decisão mal tomada, paga agora com juros, atrasos, perdas desportivas evidentes e, a prazo, da credibilidade negocial do clube a quando de futuras renovações e dispensas.
