Nuno Félix

Nuno Félix Scout internacional

FIFA 2026 - O futebol e a política do medo

O sucesso do Mundial de 2026 já está minado antes mesmo do apito inicial. Não por falta de um esmagador interesse global, mas por uma combinação tóxica de xenofobia política e cobardia/ganancia institucional. Donald Trump faz a sua parte, a cada dia com redobrado zelo: discursos hostis, políticas de exclusão, ameaças veladas a quem vem de fora. A FIFA, por sua vez, assiste em silêncio, cúmplice por omissão, e ainda o premeia com troféus inventados para sabuja subserviência do narciso em Washington.

O futebol sempre foi um dos raros espaços onde o Mundo sempre se cruzou sem pedir visto. Um território simbólico de convivência entre povos, culturas e diferenças. 

Ao transformar o estrangeiro num inimigo, Trump ataca directamente esse princípio. E ao aceitar organizar o seu maior evento num país que normaliza o medo do outro, a FIFA trai a essência do jogo que diz proteger.

A história não perdoa. Apenas Adolf Hitler conseguiu interromper os Jogos Olímpicos durante mais de uma década. E fê-lo depois de ter usado os Jogos de Berlim, em 1936, como palco ideológico. Um plano humilhado por Jesse Owens, que destruiu em pista aberta a farsa da supremacia da “raça ariana”. O desporto respondeu, então, com uma verdade poética.

Hoje, a ameaça, embora mais subtil, não é menos perigosa. Ninguém espera que os estádios americanos sejam bombardeados, mas as suas bancadas ameaçam ficar despidas de diversidade.  

Adeptos que desistem, viagens canceladas... As fronteiras do país co-organizador, ao dia de hoje, intimidam humanista de todos os continentes.

O Mundial de 2026 poderá vir a ser amputado da sua alma internacional.

Trump abusa e a FIFA aceita. Ambos são responsáveis. 

Se 2026 ficar marcado como "O Mundial do Medo" , leram aqui primeiro, não foi um acidente. Foi uma escolha!

E talvez reste apenas uma última ironia nesta história: um jogo Estados Unidos da América vs México. E que termine 0-7 para alegria dos "latinos"!

O futebol acaba sempre por expor quem tentou usá-lo contra aquilo que ele representa.

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