Voltar à Bundesliga apenas um ano após a descida à 2.Bundesliga foi mais do que uma conquista. Foi uma redenção. Uma declaração de carácter, num ano muito difícil onde não ficou pedra sobre pedra, treinador, ceo, diretor desportivo, chief scout... ninguém chegou à última jornada... e no entanto fomos todos campeões! Época esta, ainda abrilhantada pelo título nacional nos sub 19! E, para mim, será também, muito provavelmente, o fechar de um ciclo que começou em 2013, quando tive o privilégio de me juntar a esta casa como scout internacional.
Nestes anos, vi o FC Köln viver altos e baixos. Vi a cidade vibrar nas tardes de estádio cheio e vi também o silêncio amargo das noites em que o sonho parecia escapar. Mas nunca, nunca, vi este clube perder a sua identidade. A sua alma. O seu coração popular. Num tempo dos "investidores", este continuou a ser um "clube da cidade e dos adeptos".
É por isso que este regresso à elite tem um sabor tão especial. Porque não é apenas o cumprir de um objetivo desportivo, é a recompensa por uma cultura de trabalho, de humildade e de comunidade que este clube preserva como poucos na Europa.
Este ano os nossos jogadores mostraram o que significa acreditar. Com um plantel avaliado em pouco mais de 60 milhões de euros, voltamos a provar que o valor de mercado não traduz o valor de uma equipa, muito menos o valor do talento e do querer de cada jogador.
E a 2. Bundesliga não é uma segunda divisão qualquer. É a melhor segunda liga da Europa!
Jornadas houve em que tivemos mais público na 2.Bundesliga do que na própria Bundesliga!
Segundo o jornal Kicker, em média assistiram no estádio 284.643 adeptos por jornada, dando uma média de 31.627 pessoas por jogo!
Nos nossos jogos em casa, no RheinEnergieStadion foi casa cheia atrás de lotação esgotada. Imaginem só: 50.000 adeptos fervorosos todos os fins de semana... isto na segunda divisão!
Este foi o campeonato das rivalidades históricas, Hamburgo, Dusseldorf, Kaiserslautern, Karlsruhe, Hannover, Nuremberg, Hertha Berlin, Schalke 04 e, claro está, o meu FC Köln! Esta não foi uma Liga para fracos. É uma liga para grandes! E o FC Köln, uma vez mais gigante!
Hoje, à porta da minha despedida formal do clube, levo comigo um orgulho imenso por ter feito parte desta caminhada. Não sei o que o futuro me reserva, mas sei que uma parte de mim nunca mais deixará de ser de Colónia. Porque este clube, as pessoas desta cidade, com toda a sua glória, as suas cicatrizes profundas, e os seus sonhos realizados e por realizar, merecem estar entre os grandes.
E estará! Já na próxima época, voltará a ouvir-se o hino da Bundesliga no RheinEnergieStadion. E eu, mesmo de longe, estarei a cantar com eles.
Danke, Effzeh.
por Nuno Félix, scout do 1. FC Köln desde 2013
