O futebol português voltou a afirmar-se no topo do panorama europeu e regressou ao 6.º lugar do ranking de clubes da UEFA, ultrapassando os Países Baixos num momento particularmente significativo da época.
De acordo com os dados oficiais publicados pela UEFA, este avanço assenta sobretudo no coeficiente acumulado na época 2025/26, onde Portugal apresenta um rendimento claramente superior ao do seu principal concorrente direto, pontuando praticamente quase o dobro dos neerlandeses ao longo da presente campanha europeia.
Este dado é central para compreender a recuperação portuguesa. O ranking da UEFA resulta da soma dos coeficientes das últimas cinco épocas, mas é o desempenho do ano corrente que dita a tendência futura. Em 2025/26, os clubes portugueses têm somado pontos de forma consistente, beneficiando do sistema de pontuação da UEFA: dois pontos por vitória e um por empate, aos quais se juntam bónus por apuramento para fases a eliminar. Ainda ontem o contraste com os Países Baixos foi evidente: enquanto Portugal continuou a acumular pontos, os clubes neerlandeses ficaram claramente aquém, permitindo a ultrapassagem no ranking agregado.
As excepcionais vitórias de Benfica e Sporting na Liga dos Campeões foram determinantes neste processo. Ambas contribuíram não apenas com os pontos diretos das vitórias, mas também com os bónus associados à progressão na prova, inflacionando de forma significativa o coeficiente nacional desta época. Em paralelo, FC Porto e SC Braga, nas competições europeias secundárias, têm garantido uma presença regular e pontuável, assegurando que Portugal mantém um rendimento coletivo elevado apesar de ter menos clubes em prova do que várias ligas concorrentes.
Mais revelador ainda é o facto de, no final desta fase de grupos das competições europeias, Portugal apresentar uma pontuação anual superior à de três países do chamado “Big Five”: França, Itália e Espanha! Num contexto em que estas ligas partem à partida com maior número de participantes e orçamentos incomparavelmente superiores, o desempenho português nesta época assume um valor simbólico e prático muito relevante, demonstrando eficiência competitiva, capacidade de maximização de recursos e competência desportiva ao mais alto nível.
Este regresso ao 6.º lugar traduz-se em benefícios claros para o futebol nacional: melhor posicionamento nos sorteios europeus, maior probabilidade de acessos diretos às fases de grupos e uma valorização global da Liga portuguesa no mercado internacional. É, acima de tudo, um reconhecimento factual do trabalho desenvolvido pelos clubes envolvidos, da qualidade dos seus projetos desportivos e da forma como têm sabido competir com adversários teoricamente mais fortes, por via do método, da ambição, e da identidade.
Ainda assim, importa não ignorar a outra face desta realidade. Se estes resultados representam um ganho inequívoco para o futebol português no plano internacional, também contribuem para acentuar o fosso interno entre os clubes ditos "Grandes", que são praticamente sempre os mesmos a competir na Europa, e o restante tecido do futebol nacional. A concentração de receitas, visibilidade e competitividade nos chamados “grandes” reforça uma desigualdade estrutural que continua por resolver e que, a médio prazo, levanta questões sérias sobre o equilíbrio interno das competições domésticas. O sucesso europeu é motivo de orgulho, mas coloca igualmente o desafio de pensar um futebol português mais competitivo como um todo, e não apenas no topo da pirâmide.
