Ontem foi a noite em que Vinícius e Prestianni nos puseram à prova.
O futebol não pode vacilar um milímetro na luta contra o racismo, mas também não pode ser refém de vedetismos e teatralizações que instrumentalizam uma causa demasiado séria para servir de escudo a faltas de caracter e comportamentos provocatórios.
Num balneário cabem jogadores de todos os continentes, cores de pele, religiões e culturas. Há muito que o futebol é uma das maiores escolas de integração e tolerância que a sociedade inventou, um sítio onde um miúdo da periferia de Lisboa aprende a respeitar um colega muçulmano, um amigo negro, um capitão sul-americano, porque a bola manda mais do que a língua que começaram a aprender ainda no ventre da mãe ou a cor da pele com que nasceram.
Quando há racismo, a resposta tem de ser brutal, rápida e exemplar, com castigos pesados, estádios interditos e carreiras marcadas sem medo nem relativizações. Mas isso não pode significar que qualquer gesto, qualquer palavra, qualquer confronto em campo seja automaticamente carimbado como crime racial ao sabor do protagonista do momento.
No caso Vinícius vs Prestiani, é possível, e necessário, defender sem concessões o combate ao racismo e, ao mesmo tempo, olhar de frente para um jogador que faz há anos da provocação permanente, da simulação e da vitimização um estilo de carreira numa indisfarçável busca pelo protagonismo, arrastando o jogo para um teatro constante onde ele surge, invariavelmente, como a vedeta injustiçada.
Não ponho as minhas mãos nos fogo por Prestiani, mas não tenho a ingenuidade de ilibar o avançado do Real Madrid de condutas impróprias para um campeão.
A UEFA precisa de dar um sinal claro: racistas para fora do jogo! Sem direito a pedidos de desculpas ou outras atenuantes.
Mas estrelas que confundem uma crispação com racismo e que transformam cada troca de mimos em campo num drama mundial, têm igualmente que ser responsabilizadas pelo papel que têm na escalada de tensão que envenena o próprio terreno onde se joga este jogo tão bonito e democrático que é, acima de tudo, escola de vida.
