Nuno Félix

Nuno Félix Scout internacional

Sporting ficou com Morita e com um problema

O mercado de inverno do Sporting ficará associado a uma transferência que não aconteceu, mas que expôs, quer as fragilidades do actual plantel verde e branco quer, tem de ser dito, fragilidade no planeamento desportivo do clube. 

A saída de Hidemasa Morita para o Ajax esteve em cima da mesa, foi trabalhada e quase concretizada. E só não aconteceu porque o seu substituto no Sporting, falhou nos testes médicos e não houve tempo para encontrar outra solução. Portanto esta operação fundamental para o reequilíbrio do plantel verde e branco, não  caiu por opção estratégica do Sporting, nem por recuo do jogador, mas porque a operação que permitiria substituir o japonês acabou por ruir mesmo ao cair do pano.

O Sporting estava disposto a libertar Morita porque acreditava ter encontrado uma solução para o substituir com óbvia vantagem competitiva no imediato. Quando essa solução falhou, Morita ficou. E ficou não por convicção desportiva, mas por falta de alternativa viável. E é exactamente aqui que reside o problema: um clube que luta por títulos não pode colocar a estabilidade do seu meio-campo dependente de uma única contratação, tratada em cima do fecho do mercado.

Morita já foi um jogador importante, mas a sua permanência até ao final de contrato não resolve o essencial, que é a sua substituição por um jogador que garanta o rendimento que Morita já não oferece.

O Sporting precisava de mais e melhores opções no centro do terreno, de maior rotação, de proteção contra o desgaste físico e emocional de uma época que será agora ainda mais longa devido ao desempenho na Champions. Em vez disso, saiu de janeiro exatamente com as mesmas limitações, ou até com mais, depois de semanas de incerteza e ruído mais ou menos silencioso relativamente à permanência ou não daquela que foi a dupla titular de médios centro na temporada passada.

O rigor médico é inegociável. O planeamento deficiente não é aceitável. 

A tentativa de vender Morita sem garantir, de forma segura, a sua substituição não apenas por uma opção A, mas igualmente por outra B ou C, revela um Sporting que geriu o processo de scouting e identificação dos seus alvos sem a devida profundidade e assertividade de mercado. 

E neste fevereiro, com jogos importantíssimos à porta, esta poupança neste não reforço, pode vir a sair muito caro.

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