De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Gabinete de crise, precisa-se

Na gala da noite de ontem, Vieira comportou-se como homem responsável e líder elevado. O seu discurso não guardou nem uma frase para as polémicas judiciais que assolam o clube. O Benfica ganha com respeito por todos os rivais, leu o presidente das águias.

O gabinete de crise lançado há pouco mais de uma semana já está a produzir efeitos benéficos para o clube da Luz. Luís Bernardo lidera o grupo e terá chamado para a equipa Almeida Ribeiro. Este último é um quadro de altíssima qualidade, como demonstrou ao serviço do gabinete de José Sócrates. Arguto analista de informação, frio e racional na análise de qualquer conjuntura, membro da alta escola do SIS, Almeida Ribeiro é o melhor reforço de inverno do Benfica. Com Luís Bernardo formou uma dupla de grande qualidade, ao serviço de um primeiro-ministro que o futuro mostrou cheio de defeitos graves. Mas, enquanto jornalista incómodo para qualquer Governo, pude testemunhar o profissionalismo, a visão saudável do jogo democrático, destes dois quadros de qualidade, que agora se reencontram no combate aos múltiplos fogos descontrolados na comunicação do clube da Luz. Se Vieira souber dar-lhes o poder que justificam, a casa da águia começará rapidamente a ser arrumada. O excelente discurso de ontem parece ser já um sintoma destes novos tempos de estratégia clarividente na porta 18. Porém, ninguém poderá esperar milagres de prestidigitação. As coisas são o que são. No plano judiciário, Paulo Gonçalves está numa posição muito frágil, à beira do precipício, e parece querer agarrar a mão de Vieira na queda.

Bruno de Carvalho não tem emenda possível e volta a atacar os fundamentos de um balneário saudável e ganhador. A forma como entrou na polémica com Adrien só pode causar dano na ligação entre presidente e plantel do Sporting. Os jogadores olham para aquelas fotos do seu antigo capitão e para os recados juntos de Bruno e não poderão deixar de pensar, um dia posso ser eu. Um dia talvez se saiba exatamente por que não saiu William Carvalho do Sporting, no passado verão. E, exatamente, o que fez abortar a venda. Mas estamos todos recordados das palavras desbragadas de Bruno de Cravalho a garantir que William lhe devia a carreira. O que, para lá de injusto, é ridículo.

Agora é Adrien que, na visão deste ditador de pacotilha, não se poderia queixar de ter sido sujeito a um tratamento draconiano por parte do seu clube de sempre, que o levou a estar sem poder jogar até ao janeiro passado. Adrien foi educado e ponderado no seu lamento. Bruno respondeu como sempre faz. Como se todos fossem seus servos, sem direito à reserva e ao bom nome. Com este presidente, o Sporting também vai precisar de um gabinete de crise.

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