Lateral-esquerdo

Pedro Bouças
Pedro Bouças

O crescimento de Bas Dost

"O crescimento do Bas Dost… todos sentem isso, até ele. Vocês hoje vêm o Bas Dost quando sai para jogar a bola já não bate na parede. Bate num jogador com outra qualidade técnica, não era isso que ele tinha, nem sabia fazer esses movimentos… é um trabalho que temos vindo a fazer…"
Jorge Jesus

Desde bem cedo na época que Jorge Jesus se foi referindo ao avançado holandês, apontando lacunas na forma como não se integrava no jogar da equipa. Não ligava o jogo, referiu mais de uma vez o treinador do Sporting. Porque Jesus não entende o jogo e a equipa como um somar de características díspares, onde os extremos servem para cruzar, os defesas para cortar e os avançados para finalizar, havia que trabalhar um ponta de lança exímio na grande área, mas que fora dela se sentia completamente desconfortável. Também por isso, preferia sempre esconder-se atrás do central mais longe esperando somente o momento em que os colegas criavam e trabalhavam o lance para o servir.

Por mais egocêntrico que possa parecer da parte de Jorge Jesus este puxar de galões às melhorias de Bas Dost, a verdade é que o treinador do Sporting tem razão no que afirma.

Hoje Bas Dost já se vai mostrando no espaço entre linhas nas zonas de criação. Já vai saindo de trás do defesa para se mostrar. E sobretudo porque deixou de sentir o desconforto com bola, não toma sempre a mesma decisão de tocar a um toque. Deverá ser muito complicado em mais de meia época encontrar lances em que o ponta de lança, recebe a bola e joga com o contexto, ou enquadra, ou temporiza. Fazia sempre tudo a um toque e para devolver para trás. A bola que batia na parede, termo a que Jorge Jesus se referia não somente como dificuldades técnicas. Porque o gesto técnico nunca se dissocia da decisão.

Em Braga, Bas Dost mostrou por mais de uma ocasião que mesmo não sendo um prodígio fora do seu espaço natural, pode conseguir ligar o jogo, porque mudou perfil de decisões. Sobretudo por isso, porque na verdade, os ganhos puramente técnicos em fase tão adiantada da carreira são sempre mínimos, e Jorge Jesus melhor que qualquer outro sabe-o.

A Pedreira viu um Bas Dost a conduzir, e a enquadrar. Algo impensável há uns meses atrás. E não se negue a importância e a influência que o modelo de Jesus tem no crescimento das suas individualidades.

"O bom treinador para todos é o que tem mais títulos, no entanto, como jogador os melhores treinadores que tive não foram os que tinham mais títulos, mas os que me melhoraram como jogador. O Bielsa, o Jorge Jesus... para mim um grande treinador é o que pega num jogador bom e o torna em muito bom, encontra forma de o potenciar."
Pablo Aimar



Pode ler mais análises de futebol em www.lateralesquerdo.com.

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