Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Arbitragens e suas análises

Pelo terceiro anos consecutivo a lutar "Contra a corrente" nas páginas do diário desportivo de maior audiência em Portugal, começo por desejar um FELIZ ANO de 2020 a todos quantos contribuem para a produção de Record, fazendo votos para que consigam manter o alto nível de qualidade que, desde há muito, lhe vem sendo reconhecido.

Propomo-nos continuar no mesmo plano, visando atingir os objectivos com que iniciámos a nossa colaboração. Assim, começamos o ano com a nossa discordância sobre a forma como foram feitas, pelos especialistas do nosso jornal, as análises às arbitragens dos dois jogos mais importantes da 17.ª jornada, o FC Porto-Sp. Braga e o Sporting-Benfica.

Aliás, já há duas semanas atrás nos espantáramos com a forma como foi analisado o lance do jogo V.Guimarães-Benfica (15.ª jornada), entre Ruben Dias e Davidson, na área do Benfica, que não mereceu sequer a atenção do VAR. Para nós foi penalti claro mas houve tanta polémica à volta do caso, que entendemos não valer a pena intervir.               

O que vamos fazer agora, começando pelo Sporting-Benfica. Jorge Faustino (JF) e Marco Ferreira (MF), os especialistas de serviço, analisaram sete lances e foram unânimes em considerar que a equipa de arbitragem errou em três (43%!!!): faltaram dois amarelos a jogadores do Sporting (em faltas assinaladas), tudo bem; e foi mal marcada falta a Acuña (A) numa disputa de bola no ar, com Vlachodimos (V), fora da sua área de protecção. Neste caso é notório que, a haver falta, o infractor terá sido o guarda-redes, já que a foto mostra bem o seu joelho direito a acertar nas costas do adversário. O árbitro (HM) foi peremptório a assinalar falta, interrompendo uma situação de perigo em que, com a baliza desguarnecida, havia vários jogadores leoninos em zona de remate (e ainda estava 0-0).

Mas acrescem outros erros, em nosso entender: (i) no tempo de compensação, além dos 5’ pelas tochas, houve mais 4´15" de demora na análise do primeiro golo, mais 2’ na assistência a Vlachodimos e a outro jogador, além dos 3’ pelas seis substituições não simultâneas, o que totaliza mais de 14 minutos; (ii) além de extemporâneo, o amarelo a Vlachodimos (aos 90+9) em vez de o punir, só ajudou a perder mais tempo, que não foi compensado; e (iii) teve dualidade de critérios na amostragem de cartões; deu a lei da vantagem numa falta grave a meio campo, mas depois "esqueceu-se" de mostar o amarelo; e mostrou falta de rigor nos lançamentos laterais e faltas longe das áreas, marcadas muitos metros à frente.

O estranho é que, apesar de tudo isto, JF considerou que HM "fez uma arbitragem competente, apesar de alguns equívocos, poucos e sem relevância para o resultado. Boa arbitragem" e deu-lhe nota 4 (estamos entendidos?); já MF assinala "erros sem influência no resultado"; assinalou mal um contacto normal entre A e V; e "disciplinarmente falhou em lances similares", dando-lhe nota 3. Daí resulta uma nota 4 de média, por arredondamento, manifestamente exagerada, quanto anós. Uma sugestão: não seria melhor considerar 3,5 – sempre era mais rigoroso.

Quanto ao FC Porto-Sp. Braga, voltou a haver unanimidade; tendo analisado cinco lances, considerarm haver erro num deles (20%), em que terá sido mal aplicada a lei da vantagem e ficou por exibir o cartão amarelo. A nota 5 afigura-se-nos exagerada, apesar de ter tido a "coragem" de assinalar dois penaltis contra o FC Porto no Dragão, sendo que o fez escorado pelo VAR que, segundo MF, também reverteu os erros cometidos em campo. Entendemos que a nota máxima não deve ser banalizada, apenas sendo atribuível em arbitragens sem qualquer mácula, o que não foi o caso, nem o passado de Carlos Xistra justifica. Fica a ideia que, num árbitro tão fraco, um dia em que fez uma arbitragem boa (mas não excelente) merece "toma lá uma de cinco para animares"... O pior é que também acontece o contrário, um bom árbitro um dia falhar e ser logo crucificado. 

Para terminar voltamos às tochas: na 15.ª jornada, em Guimarães, adeptos do Benfica foram os responsáveis por quatro interrupções, que atrasaram o jogo por mais de cinco minutos; na 17.ª, em Alvalade, a vergonha vai para as claques do Sporting, reincidentes com variadas acções concertadas, que duraram quase seis minutos.

Mas há certamente responsáveis: como é que as tochas entraram no estádio se eu, um sócio antigo, com mais de 80 anos de idade, fui revistado à entrada? E qual foi a actuação da PSP no final do jogo? A continuar esta falta de autoridade, qualquer coisa de muito grave poderá voltar a acontecer. Realmente não se admite tanta tolerância.

* Antigo colaborador de Record (1991/97) e último Director da Gazeta dos Desportos (1995); escreve segundo a antiga ortografia

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