Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Cinco minutos 'à Sporting'

Longe vão os tempos em que o Sporting ganhava (quase) tudo e quando as coisas não estavam a correr bem havia sempre um "forcing" final arrasador - uns cinco minutos – que muitas vezes acabavam por levar a vitórias muito saborosas.

Os tempos são outros e esta época têm mesmo sido de "vacas magras", mesmo muito magras, mas o que se passou neste início de época merece uma reflexão.

Não nos vamos deter em pormenor no que se passou no mês de Julho, em que o Sporting disputou seis jogos de preparação e não ganhou nenhum. Na altura isso já causou alguma preocupação, principalmente pelo pouco ritmo e escassas ideias de jogo, não se vislumbrando nada parecido com o estilo e algumas excelentes prestações que a equipa tivera na época anterior no início da era Marcel Keizer, além das inesquecíveis vitórias nas duas Taças, arrancadas a.ferros em luta com os outros três grandes do nosso futebol

Vamos antes analisar os 85 dias que medearam entre a Supertaça (5 de Agosto) e a 8.ª jornada da Liga (28 de Outubro). Como se tornou logo evidente no jogo com o Benfica (0-5), Keizer não iria aguentar muito; caíu à 4.ª jornada, derrotado em casa pelo Rio Ave (2-3), num jogo estranho em que até estivemos a ganhar já na 2.ª parte, mas o habitualmente seguro Coates cometeu três penaltis. Em competição oficial durou 30 dias, com 2V-1E-2D e 8-11 em golos.

Seguiu-se Leonel Pontes (LP), responsável pela excelente carreira dos Sub-23 na Liga Revelação, uma opção que pareceu natural mas que se revelou desastrosa. Não tanto por culpa do treinador, mas pelas circunstâncias em que aconteceu: após 10 dias de treinos, disputou quatro jogos em 12 dias – 1E-3D, duas delas em casa, com 5-8 em golos – nos dias 15, 19, 23 e 26 de Setembro. De novo o Rio Ave (de Carlos Carvalhal) na decisão de afastar o treinador, após 23 dias em funções (de 4 a 27 de Setembro).

De saudar o regresso de LP aos Sub-23 e a continuação dos bons resultados, em confortável liderança com um total de 31 pontos em 12 jogos (10V-1E-1D e 34-10 em golos).

Perante este cenário nada animador, Silas foi corajoso e aceitou conduzir a nau leonina. Ao fim de 31 dias e quase sem tempo para treinar, apenas se lhe pode apontar a deficiente avaliação do adversário (Alverca, do Campeonato de Portugal), que custou a saída prematura da Taça de Portugal, de que éramos titulares. No resto, 2 vitórias na Liga e outras 2 na Europa, muito suadas mas a dar esperanças de continuidade

A situação é esta, até agora (28 de Outubro):

Na Liga: com 8 jogos, 4V-2E-2D, 14 pontos ganhos, 10 pontos perdidos; e, curiosamente, 14 golos marcados e 10 golos sofridos.

Na Europa: 2.º lugar, com 6 pontos, 5-4 em golos, faltando disputar um jogo em casa (com o mais forte adversário, o PSV) e dois fora, com aqueles que já vencemos

Na Taça da Liga: faltam disputar dois jogos fora (máximo 6 pontos), mas a derrota sofrida em casa torna problemático o apuramento para a Final Four, visto haver dois adversários com boas hipóteses de fazerem 7 pontos.

Aqui chegados, o leitor certamente se interrogará sobre a razão do título: a que propósito os tais cinco minutos "à Sporting"?

É que, apesar de o percurso da equipa não estar a ser nada brilhante, já houve três jogos em que aconteceram os tais "cinco minutos".

Senão vejamos:

Em Portimão, na 3.ª jornada (25 de Agosto): o Sporting entrou de rompante e, aos 5 minutos já estava a ganhar por 2-0, golos de Raphinha (aos 3´) e Luiz Phillipe (aos 5´); e, apesar de o Portimonense ter feito o 1-2 (penalti aos 8´), logo aos 10´ poderia ter surgido o 3-1.

Em Lisboa, contra o LASK Linz (3 de Outubro): foi a estreia de Silas em Alvalade e na Europa; após uma 1.ª parte em que o LASK mandou no jogo e saíu a ganhar (0-1), aos 58 e 63´ Luiz Phillipe e Bruno Fernandes marcaram e deram a volta ao jogo, no que o jornalista Vítor Almeida Gonçalves, na crónica do jogo, chamou "5 minutos à Silas".

E novamente em Lisboa, na 8.ª jornada (27 de Outubro): contra o Vitória de Guimarães, em duas magistrais aberturas de Vietto, aos 29 e 32´ Jesé e Acuña fizeram o 2-0 com que se chegou ao intervalo, aguentando a pressão adversária até ao 3-1 final; também poderia dizer-se "5 minutos à Vietto"...

Pena é que esses curtíssimos períodos de domínio concretizados em golos, tenham sido meros oásis em desertos de ideias, longos períodos em que os adversários conseguiram explanar o seu futebol e até ganhar, mesmo em Alvalade.

Fazemos votos para que o trenador Silas consiga pôr a equipa a jogar como ele gosta e que essas ideias se traduzam em bom futebol, golos e... vitórias.


*Antigo colaborador de Record (1991/97) e último Director da Gazeta dos Desportos (1995); escreve segundo a antiga ortografia


 

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