Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Lançamento lateral

Porque é que o lançamento lateral é feito com as mãos?

Será que, ao longo de bem mais de um século, ninguém terá reparado nessa anomalia?

Do original inglês, o football é, por definição, jogado com os pés; excepção feita ao guarda-redes, que até usa equipamento diferente, mas cada vez tem mais restrições ao uso das mãos.

Nos primórdios do jogo, terá sido a forma expedita de resolver incidentes sem importância: a bola saiu do campo, "que chatice, eh pá, bota depressa cá para dentro", o que era feito de qualquer maneira, até com as mãos…

Com o tempo, em vez de cortarem o mal pela raiz, os eméritos legisladores conseguiram transformar esse simples movimento num acto complexo, objecto de uma série de normas, a exigir especialistas que, a par de alguma habilidade com os pés, também tenham força e destreza para colocarem a bola longe, com as mãos.

E assim, em vez de uma reminiscência cada vez menos justificável no Séc. XXI, o lançamento lateral tornou-se, porventura, um predicado a justificar exorbitantes contratações de vulgares backs…

O lançamento lateral com os pés traria várias vantagens, a primeira das quais a de ser executado no local exacto em que a bola saiu do terreno de jogo – e não 10 ou 15 metros à frente, como tantas vezes sucede.

Regra distintiva do Futsal (será que vai passar a ser com as mãos?), estranhamente não acontece no Futebol de praia, também com normativo recente.

Para além de maior variedade na construção de ataque planeado, em jogo directo permitiria maior rapidez de execução e de colocação da bola junto da baliza, com mais oportunidades de golo.

Esta alteração exigiria a reformulação da Lei 15 e aconselharia também a do pontapé de canto (Lei 17).

De facto, com o lançamento executado com os pés ao longo de toda a linha lateral, o pontapé de canto deixaria de fazer a diferença, pelo que se justificaria passar a ser executado noutro ponto da linha de fundo.

Afigura-se local adequado a intersecção dessa linha com a de grande área: bem mais perto da baliza, proporcionaria novas soluções de ataque, quer através de jogo directo, quer de outras opções criativas, com natural aumento do número de golos.

Mas isso já é outra questão, a exigir análise específica.

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia
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