Não nasceu virtuoso e tem com a bola uma relação pouco amigável, razão pela qual o talento natural não lhe permite participar com argumentos artísticos no bordado da aproximação à baliza. A visão instantânea de jogador alto e forte (1,93 m e 90 kg) suscita a imagem falsa de uma descoordenação motora que, afinal, não o diminui. O grande mérito de Samu, aos 20 anos, no início de uma carreira cuja grandiosidade todos perspetivam, é a perfeita consciência das suas próprias limitações; é saber o que está e não está apto a fazer; onde pode e não pode chegar. Enquanto procura apetrechar-se com melhores argumentos para cumprir o destino de ponta-de-lança de época, vinga-se das fragilidades marcando golos. É um bom início de conversa.
