As dificuldades de Anselmi

1 - Sem espaço para microciclos semanais e com pouquíssimo tempo para treinos aquisitivos, Martín Anselmi não consegue erigir, no imediato, uma mudança contundente de ideário. Como muitos treinadores, nomeadamente os que perfilham modelos e estruturas distintos dos antecessores, é preciso tempo. Um tempo que chegaria se o FC Porto fosse eliminado da competição europeia, o que contraria o palmarés do clube, para poder concentrar-se integralmente no campeonato e fazer crescer o coletivo, depauperado de Nico, Galeno e dos seus substitutos, até ao Mundial de Clubes. É notório que o FC Porto precisa de melhorar os seus processos com bola – muitos erros e dúvidas na construção, dificuldades em ligar criação com finalização, o que redunda em poucas oportunidades de golo – e sem bola – tanto na definição de zonas para pressionar alto e no posicionamento da última linha, como na transição defensiva, onde se denota exposição na profundidade –, mas também fomentar a capacidade de ser regular ao longo dos 90 minutos, o que já não afiançava na gerência anterior. Com estes ingredientes, é impossível almejar exibições de elevada nota artística e um caudal ofensivo significativo que redunde em golos, sobretudo quando o coletivo ainda se sente desconfortável, não só com a mudança radical a nível estrutural, mas também pela necessidade de introduzir novos conceitos num modelo de jogo em que o risco e a belicosidade ofensiva dispararam.

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