Azul até ao rubro

1] O FC Porto entrou na Luz com um plano que dominou, durante 65 minutos, o arquirrival em todas as dimensões. O 4x3x3, desdobrável em 2x3x2x3, suportado por uma tremenda fisicalidade, o que exigiu a aquisição de veículos de combate como Bednarek, Kiwior, Froholdt ou Alberto, impôs-se desde a construção. Houve uma paciência estratégica na primeira fase que desvaneceu o bloco encarnado: os elementos de saída raramente arcaram a condução e reduziam os toques, desnorteando as referências de pressão do Benfica até depararem, como um arqueiro que retém a flecha, o momento de verticalizar. A superação da pressão foi executada por duas vias. Pelo corredor central, com um losango formado por Diogo Costa — crucial a ampliar o espaço para trás, enquanto o Benfica pretendia apertar em frente —, Bednarek, Kiwior e Varela a aliciar para superar. À largura, Gabri Veiga movia-se para a esquerda, sempre com vantagem sobre o opositor, como corolário do atraso nos tempos de salto, e buscava o espaço interior para a alta cilindrada de Froholdt que Ríos e Enzo, presos ao selim, perdiam de vista. O primeiro golo, aos 10 minutos, fixou o treino em vantagem. Bednarek buscou um passe vertical para Gül, que atraiu Otamendi e encontrou Varela solto e enquadrado nas costas de Pavlidis e Rafa, desenhando o princípio do terceiro homem na perfeição. O argentino foi arguto a buscar a rutura de Froholdt, na cratera que Otamendi deixara entre Tomás e Dahl, que finalizou na recarga a uma defesa atabalhoada de Trubin.

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