1] O cérebro de Mourinho delineou o plano correto para se superiorizar inequivocamente ao discípulo Arbeloa. Depois da abordagem densa e transicional na Luz, que não surtiu o efeito pretendido, o Benfica surgiu em Madrid numa versão mais belicosa e proativa. Partindo do habitual 4x2x3x1, as águias desenharam um quadrado no corredor central, com Barreiro e Aursnes na zona mais baixa e Ríos e Rafa na zona mais alta, o que afiançou situações de superioridade – até porque o posicionamento baixo de Dahl atraía Valverde – e a perscrutação dos meios-espaços. Além disso, o momento de organização defensiva foi armado em três etapas extremamente bem definidas. A primeira, face à saída por Courtois, mais alta, que surpreendeu o opositor e foi crucial para condicionar as ligações desde trás, acentuadas pela ausência de Mbappé, letal a assaltar com contundência a profundidade a partir de passes longos. Depois, com o rival com bola no seu meio-campo defensivo, um bloco médio muito compacto. E, finalmente, um bloco baixo curtíssimo e coriáceo para fazer face às investidas do Real Madrid no meio-campo ofensivo. Com isso, os encarnados fecharam o acesso ao espaço interior, retiraram velocidade à circulação dos brancos, e corrigiram, com precisão cirúrgica, o que falhou na Luz.
