O clássico da insurreição

1] Já poucos se recordarão de 13 de dezembro de 1964, o derradeiro dia em que o Benfica, em jogos a contar para o campeonato, marcara 4 golos ao FC Porto. José Augusto e Eusébio, com um remate violento e uma ação corrosiva de assalto à profundidade após abertura de Coluna, bisaram ante um FC Porto atónito, treinado por Otto Glória, que teria tempo para arrancar os dragões – Pedroto era o promissor treinador de um Leixões europeu e Pinto da Costa estava prestes a completar o seu 27.º aniversário – da metade baixa da classificação para vice-campeões. A exibição diabólica dos encarnados, que seguiam numa retumbante sequência 28 golos marcados e 0 tentos sofridos nos últimos 5 jogos, fazia com que a imprensa indígena se interrogasse sobre quem seria capaz de travar a equipa orientada pelo romeno Elek Schwartz. A resposta seria dada dois meses depois pela CUF, de Manuel de Oliveira, o ideólogo de Jorge Jesus, que suplantaria as águias, no Lavradio, por 2x0, com golos de Espírito Santo, dispensado pelos rubros, e de Ferreira Pinto, médio que reforçaria o Benfica no exercício seguinte. Uma derrota que não afastou a formação da Luz do título nacional, numa estação que viria a ser marcada pelos desaires nas finais da Taça, ante o Vitória sadino, e da Taça dos Campeões Europeus, frente ao Inter, depois de um triunfo caseiro ante o Real Madrid por 5x1, nos quartos da competição. Dois fracassos que reabririam as portas da Luz a Béla Guttmann, o que redundaria numa desilusão maiúscula.

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