1] O culminar do clássico entre FC Porto e Sporting transverberou a crise identitária em que o ludopédio indígena está submerso. Pouco se falou de futebol nos dias que se seguiram. Parece irrelevante debater se o ultraconservadorismo tático-estratégico e o medo de perder não está a metamorfosear os embates mais relevantes do campeonato em jogos de xadrez, ao arcarem-se cada vez menos riscos e no pouquíssimo espaço para proporcionar momentos de nota artística ou fora da caixa. O que desagua na quase inexistência de remates que visem o arco rival e em espetáculos pueris que não vão gerar memórias a quem os assiste. Se o FC Porto-Sporting findou com apenas com 4 remates enquadrados, 2 grandes oportunidades e 2 defesas dos guarda-redes, o soporífero FC Porto-Benfica, da jornada 8, não foi além de 3 remates enquadrados, 1 oportunidade clara e 3 defesas dos guardiões. Ligeiramente melhor escoou o Benfica-Sporting com 6 remates enquadrados, que não valeram mais do que 2 grandes oportunidades e 4 defesas dos guarda-redes. Foi o Sporting-FC Porto, pela fase imberbe do exercício, que se assumiu como uma exceção: 10 remates enquadrados e 8 paradas dos guardiões, mas que, apesar dos bons momentos, só rendeu 3 oportunidades de golo.
