Independentemente da leitura política e do recado à Liga, a FPF fez bem em dar um sinal no combate à violência no futebol, em particular na que constantemente se vê sobre os árbitros, em todos os escalões e geografias, assumindo o compromisso de agravar as sanções desportivas aos infratores. Ao vermos um treinador a atingir um árbitro à cabeçada num jogo de crianças sub-11 percebemos que há algo de profundamente doente na forma como a sociedade portuguesa vive o Desporto. Há muitas origens para este mal e uma delas é o comportamento tribalista e irresponsável de muitos dos principais protagonistas que têm palco público inerente às posições que ocupam, responsáveis por uma banalização do discurso de ódio que vai descendo montanha abaixo, até chegar a crianças de 11 anos. Aquela cabeçada, tão cobarde como imperdoável, tem ali um pouco de todos os excessos de todos os agentes ligados ao Desporto (incluindo nós, Comunicação Social), por mais inofensivos que possam ter parecido na altura. Temos de ter vergonha do que aconteceu e fazer algo para que crianças de 11 anos não tenham de ter medo daquilo em que nos tornámos. Como diz a canção, colhemos aquilo que semeamos.