O FC Porto sagrou-se campeão com toda a justiça. A afirmação de competência para o exterior exalta a importância da definição de prioridades e do conhecimento dos próprios limites. O campeonato foi sempre a prioridade de Francesco Farioli, que não se deixou inebriar por cantos de sereia e conquistou o topo com uma proposta inconfundível. Um dragão combativo, intenso, pressionante e muito sólido defensivamente nunca se preocupou com as críticas e, confortável, no topo da classificação, raramente lhes deu crédito. André Villas-Boas não se deixou abater pela falsa partida de um tirocínio com dor, e concretiza a promessa de vitórias que sustentou o triunfo eleitoral. O presidente apertou o crivo, blindou um núcleo restrito de homens de confiança e em nenhum momento voltou a cara à luta. Bater de frente com Frederico Varandas teve custos mediáticos, mas o FC Porto esticou a corda até ao limite e lidou com a impopularidade. O inimigo externo, ex-libris da era Pinto da Costa, só tornou o dragão mais forte. A comemoração do 31.º título declara saradas as feridas do passado recente. Há um caminho de sucesso que, na vontade de Villas-Boas, conheceu apenas o primeiro ato. Quatro anos volvidos, a nação azul e branca volta a erguer-se em celebração. A caminhada começou com lágrimas de tristeza pelo trágico falecimento de Jorge Costa e termina com lágrimas de alegria pelo título que nem esfregado com Ajax poderia ter saído mais limpinho.
