Não pude ficar indiferente ao sucesso alemão na Taça das Confederações. Mesmo levando em consideração que esta prova chega no final de época – quando os jogadores já só sonham com as férias depois de um ano de trabalho com mais de 50 jogos –, a seleção B ou C da Alemanha demonstrou que era a melhor equipa em prova. Fiel aos seus princípios de jogo e a uma identidade competitiva, mesmo com muitos jogadores novos e em fase de inserção no coletivo, a seleção germânica não facilitou e demonstrou porque é campeã do Mundo!
Neste caso, mais do que o talento e a qualidade dos jogadores, o mais importante e nuclear é a equipa. É certo que a definição do perfil de jogador para cada posição é relevante, mas a ideia de jogo, os mecanismos defensivos e ofensivos, a organização coletiva, a ambição, a confiança e saber seguir o plano traçado são factores determinantes para que esta seleção possa marcar um ‘tempo’ no futebol mundial. E tudo isto é resultado de um Plano. Alicerçado em medidas concretas. De um projeto que foi implementado depois dos insucessos do Mundial’1998 e do Europeu’2000.
Começando nas escolas públicas, onde as crianças entre os 8 e os 14 anos beneficiam de Escolas de Futebol de Elite, com o apoio (cerca de 715 milhões de euros) do Estado e da Federação. Continuando com a obrigatoriedade dos clubes das duas principais ligas terem um projecto de formação para poderem ter a respetiva certificação para competirem. Terminando nos métodos aplicados, com os jovens jogadores até aos 13 anos a trabalharem semanalmente 12 horas e até aos 18 anos a trabalharem 18 horas semanais. E nunca descurando os estudos e a sua formação académica. Não há magia nem acaso! Há trabalho e visão!