De outro ângulo

Sandra Lucas Simões
Sandra Lucas Simões Editor

Bradley e a magia do futebol

À medida que se aproxima o início dos campeonatos surgem as mais variadas análises à capacidade de recrutamento das equipas, da qual dependerá muito o sucesso nesta época. E neste caso o mercado inglês tem dado muito que falar com negócios a serem feitos por números incríveis e a promessa que até ao último dia poderão surgir jogadas de mestre que façam toda a diferença.

Mas ao mesmo tempo que a mudança de Romelu Lukaku para o Manchester United, com os múltiplos episódios a envolver o habitual jogo de empresários, e os muitos milhões envolvidos mereceram páginas inteiras em jornais de referência, para não falar do natural destaque em todos os sites, a história que mereceu honras de igual dimensão foi a do pequeno Bradley Lowery, e de como uma amizade vinda do futebol fez como que os últimos meses deste menino de seis anos fossem, apesar de muito dolorosos, mais plenos.

Bradley Lowery foi um "bravo rapaz" como os seus pais recordaram na mensagem de despedida. Jermain Defoe foi outro. Quando em fevereiro foram divulgadas fotografias do jogador com o jovem adepto do Sunderland, já em fase terminal da doença, numa cama do hospital foi impossível ficar indiferente. Se alguém ainda pensou que seria apenas um instante enganou-se porque desde aí foi feito um caminho a dois. Defoe esteve com Bradley até ao fim da sua vida e ainda que a partir de agora já não possa olhar constantemente para o telemóvel à espera de uma chamada ou de uma mensagem do pequeno amigo – como ainda há dias reconheceu que fazia constantemente – não deixará de pensar nele todos os dias e de lhe ser grato.

O futebol deu a Bradley e à sua família momentos preciosos e Bradley mostrou como o futebol vai muito além das discussões a que nos tem habituado, muitas vezes carregadas de insultos, sem olhar a meios para atingir os fins e sem distinguir sequer o alvo, com as redes sociais a fomentarem esse clima por potenciarem o pior de cada um e fazerem acreditar que a punição nunca acontecerá.

A traição sentida por Conte no momento em soube do acordo entre Lukaku e o Manchester United, as comissões de Raiola e os absurdos – aos olhos de muitos – valores das transferências continuarão a suscitar troca de acusações e a ter o seu espaço mediático. Se é a equipa de José Mourinho, que definiu logo no final de abril quem queria, ou o rival City que vai ser mais competitivo ainda é cedo para se dizer. Para já, é inquestionável o salto qualitativo dos dois plantéis e ambição dos seus treinadores, tendo Mata até já dito que Mou não pensa noutra coisa que não seja arrancar a época com uma vitória frente ao Real Madrid na Supertaça europeia.

Destes dias ficou contudo a lição de Bradley e de como o futebol tem um poder inigualável. Grandes gestos ficam para sempre.

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