Jesualdo Ferreira considera que o Sp. Braga não está a ser tratado como qualquer outro candidato ao título. E por isso mesmo, na sua perspectiva, não faz sentido que se fale que o Sp. Braga é candidato. A crítica é directa aos órgãos de comunicação social e muito claramente aos jornais desportivos.
A ninguém custará admitir, porque é claro como água, que o Sp. Braga não “goza” do mesmo tratamento do Benfica, Sporting e FC Porto. Por tratamento, leia-se espaço que privilegia os três grandes e ao qual o Sp. Braga não tem o mesmo “direito”. Mas em caso algum isso deve ser interpretado como menor respeito pelo Sp. Braga e pelo seu estatuto de candidato. O espaço de que beneficiam Benfica, Sporting e FC Porto foi conquistado ao longo de anos e anos de vitórias e de títulos e que levaram as paixões clubísticas do País a dividirem-se pelos três “grandes”.
Esperava então Jesualdo Ferreira que o Sp. Braga fosse frequentemente manchete de jornais (desportivos e não só) e abertura de telejornais? E já agora o Nacional da Madeira também? É um desejo legítimo e que coloco nestas linhas não para pôr em causa mas apenas para desenvolvê-lo noutro sentido.
Quando Jesualdo defende que o Sp. Braga deveria ser tratado como outros candidatos provavelmente está a referir-se a outras questões que têm sobretudo a ver com o poder, a influência e a pressão que esse “estatuto” pode conferir aos candidatos. Depreender-se-á das palavras de Jesualdo que com essa equivalência o Sp. Braga poderia ter outro “peso” nos momentos em que algo pode ser decidido em função disso, ou seja o “peso” de outros factores que não têm directamente a ver com a qualidade do jogo e da equipa. Ora esta análise deixa entender que há alturas em que não basta ser melhor e revela implicitamente clara reserva quanto à eficácia dos “meios” que devem garantir a verdade desportiva.
Estas considerações do técnico dos minhotos levantam contudo outra questão: até que ponto não é mais “saudável” para o Sp. Braga viver sem a pressão de um candidato? Até onde iria a resistência da equipa de Jesualdo Ferreira se o seu grupo vivesse com essa pressão?
Muitas vezes os “grandes” adoptam estratégias para se protegerem da pressão a que estão invariavelmente sujeitos e que por vezes atinge níveis difíceis de gerir e de suportar. Essa é, pelo menos por enquanto, uma situação com que Jesualdo e a sua equipa lidam com menos desconforto ainda que, naturalmente, com toda a responsabilidade.
Faz parte aliás da “história” desportiva que equipas que estão sujeitas a menor pressão conseguem estender os seus ciclos positivos para além das expectativas: O estatuto de quem nada tem a perder mas tem tudo a ganhar potencia, em muitos casos, as qualidades de uma equipa, ainda mais de uma equipa que já de si joga sem complexos. O Sp. Braga e o Nacional bem podem queixar-se de falta de mediatismo e menor impacto na comunicação social mas por outro lado beneficiam das vantagens de andarem longe dos holofotes.
Mais um pesadelo galáctico
Salvo as devidas proporções, Wanderlei Luxemburgo deve estar a sentir-se no Real Madrid como José Peseiro nos seus últimos tempos do Sporting.
O treinador do Real Madrid cometeu a imprudência de desafiar a lógica e sobretudo a “aficcíon” quando nos últimos dez minutos do jogo com o Lyon, pouco depois de ter sofrido o golo do empate, substituiu Beckham por Michel Salgado.
Peseiro trocou Liedson por Beto (também aos 80’) de um jogo com o V. Setúbal quando ganhava por 1-0 e o adversário estava reduzido a dez jogadores. O Sporting ganhou essa partida mas Alvalade sentenciou o destino do treinador.
Luxemburgo vive a mesma situação em Madrid. O Santiago Bernabéu já lhe deu ordem de “saída” e o jornal desportivo “Marca” (verdadeiro “farol” merengue) apontou-lhe o mesmo caminho. O presidente Florentino desceu ao balneário para renovar a confiança ao treinador brasileiro o que nestas circunstâncias significa que já não deve durar muito tempo...
Para Florentino Pérez é mais um fiasco galáctico. As receitas que o Real encaixa em resultado da imagem das suas estrelas não disfarçam os constantes flops desportivos.
“Sorte” teve Figo em abandonar o Real antes de mais uma época de humilhação. Saiu de Madrid pelo seu próprio pé e desavindo com Luxemburgo. Na jornada em que o Real era humilhado pelo Barcelona, Figo reencontrava o caminho do golo.
Na 4ª feira, enquanto o Real marcava passo com o Lyon, Figo apontava o primeiro golo diante o Artmedia. Muitos adeptos do Real devem suspirar por ele.
Canto Curto
Nuno Gomes
O gesto foi feio e a insinuação não dá margem para duplas interpretações. Nuno Gomes terá pedido imediatamente desculpas, mas faltaram esclarecimentos públicos para desfazer a “cena”. Nuno é dos jogador mais correctos que conheço. Foi um momento infeliz. Só isso.
Liedson
Enquanto houver Liedson e Paulo Bento não tiver alicerces sólidos que suportem o equilíbrio da equipa, não haverá lugar para Pinilla, Deivid e Silva no onze leonino. E como essa opção é bem sustentada (nos golos), os concorrentes de Liedson ficam sem moral para reclamar seja o que for.
Shevchenko
Ano de oiro para o ucraniano do Milan. Vai estar no Mundial (era um “crime” um jogador da sua classe não ter essa oportunidade) e com os 4 golos ao Fenerbahçe entrou noutra galeria da história da Champions juntando-se a Van Basten, Nistelrooy, Inzaghi e Prso.
Abel Xavier
A carreira do “saltimbanco” Xavier merecia melhor fim. Ao castigo que cumpriu por causa dos incidentes na meia-final do Euro’2000, entre França e Portugal, junta-se agora a suspensão de 18 meses por “doping”. Passa a imagem de um marginal que ele não é.