Contas de sumir

Contas de sumir
Contas de sumir

Graças aos préstimos de senhores como Abdel M. Hussein, do Sudão, e de Ka Ming Kwok, de Hong Kong, ficou resolvida logo no domingo passado a magna questão do “melhor jogador do Mundial”. E como esses dois senhores, ajudados por mais 11 inquestionáveis sábios do futebol, escolheram (como não?) Lionel Messi, o melhor é avançarmos para tema muito mais atual e com selo de garantia pelo menos até às 23h 59m de dia 31 de agosto – o extraordinário mercado. É certo que haverá muito quem esteja saturado dessas entidades particularmente abstratas. Afinal, já andamos há uns anitos a ouvir falar em mercados; no nervosismo dos ditos; nos secundários e nos primários; nos de dívida; até, agora, na reinvenção dos mercados, seja do Bolhão, de Campo de Ourique ou da Ribeira.

Claro que o que nos interessa aqui é o outro mercado, aquele das transferências de futebolistas e que consegue a extraordinária proeza de acrescentar mais uma operação aritmética às que conhecemos na escola primária. Já tínhamos a multiplicação, a soma, a subtração e a divisão. Mas neste mundo maravilhoso das muitas dezenas de milhões de euros há também as contas de sumir. Atenção, não vale fazerem-se interpretações erradas do verbo “sumir”. O que queremos dizer é muito simples: à soma das verbas recebidas pelas transferências corresponde o sumiço dos futebolistas. E se a maior parte dos clubes, principalmente os portugueses, não enjeita a oportunidade para receber, esse mesmo momento representa imediato desaparecimento dos “ativos”.

Olhe-se o exemplo do Benfica. As verbas recebidas (ou a receber) pelas transferências mais recentes andam na casa dos 92 milhões de euros. Valor muito respeitável, sem dúvida, mas a ele correspondem umas continhas de sumir. E são essas, onde entram (ou melhor, saem) Oblak, Garay, André Gomes, Markovic ou Rodrigo, por exemplo, que têm resolução muito complicada. Ao contrário do velhinho Monopoly, onde o objetivo é a acumulação de riqueza, estes exercícios seguem numa espécie de percurso em arame suspenso sobre os resultados no final dos jogos. E no caso dos clubes grandes, os que lutam pelos títulos, a cada sumiço corresponde hipótese aumentada de queda. De modo algum amortecida por eventuais maços de notas.

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