O Sporting Clube de Portugal vive de exigência. Sempre viveu. Mas vive também de memória, de justiça e de coerência. E é precisamente por isso que, num momento menos feliz em termos de resultados, importa recentrar a discussão e defender aquilo que é justo — e verdadeiro.
Rui Borges é o treinador campeão nacional. Esse facto, por si só, deveria impor respeito. Não apenas pelo título conquistado, mas pela forma como o fez: com trabalho, humildade, sentido de compromisso e uma postura irrepreensível dentro e fora do campo. Num clube tantas vezes marcado por ruído e instabilidade, Rui Borges trouxe seriedade e liderança tranquila.
Importa sublinhar um dado objetivo, muitas vezes ignorado por quem prefere o alarmismo à análise: o Sporting tem, neste momento da época, mais um ponto do que no período homólogo da época passada. Não estamos a falar de perceções, mas de factos. Factos que desmontam a narrativa de declínio que alguns insistem em alimentar.
Aproveitar um ciclo de resultados menos positivos para questionar a competência do treinador — chegando mesmo a afirmar que “não é treinador para o Sporting” — é um exercício de injustiça e desresponsabilização coletiva. É o equivalente a dizer que Guardiola deixou de ser treinador para o Manchester City por empatar três jogos consecutivos. O futebol não se analisa em fragmentos isolados, mas em contextos.
E o contexto atual é claro: o Sporting tem sido profundamente afetado por um número anormal de lesões, muitas delas em jogadores-chave. É legítimo que isso preocupe qualquer sportinguista. O que não é legítimo é usar essa adversidade como arma de arremesso contra quem lidera o grupo e continua, diariamente, a dar tudo pelo clube.
Se há algo que a história do Sporting nos ensinou é que somos da raça que nunca se vergará. É precisamente nestes momentos — quando as coisas não correm de feição — que o grupo de trabalho precisa do apoio de todos: adeptos, sócios, dirigentes e antigos dirigentes. Não é tempo de fraturas internas, mas de união.
A época está longe de terminada. Há muitas frentes em aberto, muitos pontos em disputa e muito Sporting por jogar. Pôr tudo em causa agora não fortalece o clube; enfraquece-o. Dar força a quem já nos deu tantas alegrias, isso sim, honra o nosso símbolo e a nossa história.
Por fim, e em jeito de conselho direto a quem lidera este grupo, há algo que a experiência ensina. Nestas fases é normal que familiares e amigos mais próximos, com a melhor das intenções, inundem o WhatsApp com referências, comentários e críticas que circulam nas redes sociais. A Rui Borges, deixo um conselho simples e honesto: desligue. Desative o WhatsApp, não ligue ao que lhe enviam, não absorva esse ruído. Esse tipo de mensagens não ajuda, não constrói e não reflete o trabalho real que está a ser feito diariamente. O foco deve continuar onde sempre esteve: no balneário, no treino, no jogo seguinte e no Sporting Clube de Portugal.