Em tempo de vitórias tudo é fácil, parece que a bola ganha vida, que encontra sempre o lugar certo para entrar na baliza adversária, os passes nunca falham e os jogadores parecem músicos numa orquestra em total sintonia. Mas é quando os resultados fogem que temos de revelar o nosso melhor sportinguismo.
De um momento para o outro, o Sporting passou do Céu para o Inferno. A equipa demolidora, que não encontrava adversário à altura, que reduziu o Manchester City à vulgaridade, que acabava os 90 minutos com uma frescura que parecia igual à do início do jogo, desapareceu.
Em 4 semanas parece que recuámos 4 anos.
Sabia-se que a saída e Ruben Amorim teria impacto, só por alienação da realidade ou total desconhecimento do processo de mudança que introduziu no Sporting, poderia ser desconsiderado o impacto da sua saída. Ruben não se diferenciou pela estratégia de jogo que impôs, diferenciou-se por saber colocar as "peças" no lugar certo. Formando um todo que se traduzia numa equipa imbatível.
Os jogadores sentiam retorno individual pelo desempenho colectivo. Isto parece fácil de dizer, mas é muito difícil de fazer. São equilíbrios muitos frágeis, que têm de ser geridos a todo o momento, com mestria e sabedoria.
Quando se quebram, quando a equipa deixa de apresentar resultados, cada jogador tende a tentar mostrar individualmente o seu valor, a equipa desintegra-se e fica exposta à sorte do jogo, é por isso que se começa a falar de azares, de bolas no poste ou de erros de arbitragem.
Quando a direcção do Sporting escolheu o treinador que sucede a Ruben Amorim, escolheu um treinador da "casa". Alguém que conhecia, ou deveria conhecer, os métodos e os pressupostos que nos tornaram grandes. Acreditámos todos que a escolha teria sido fundamentada, preparada ou até mesmo planeada. Mas, contra todas as expectativas, alterou-se o modelo de jogo, mudaram-se posições e substituíram-se titulares. Quando se esperava continuidade, recebemos experimentalismo.
Apesar de tudo ser especialmente errático, de a direcção escolher um treinador que, conhecendo, quis impor novidade quando se desejava continuidade, ainda vamos a tempo de corrigir.
Corrigir implica humildade, humildade para reconhecerem os erros, para retomar as dinâmicas deixadas por Ruben Amorim e ouvirem a voz dos adeptos. Sim, ouvir faz bem, sem soberba ou arrogância, própria de quem se acha dono da verdade, apesar da realidade mostrar à exaustão o contrário.
A nós, adeptos, cabe mostrar o nosso melhor. Apoiar a equipa no próximo jogo com toda a paixão, durante 90 minutos, sem interrupção, sem quaisquer assobios ou insultos. Vamos mostrar o nosso melhor, mostrar que o Leão nunca verga e o rugido nunca cala.
Terminado o jogo, será feito o juízo, mas até lá é a hora do Leão.