A comunicação mudou vertiginosamente no decurso dos últimos anos, mas há paradigmas que, não obstante, se mantêm. Quando o presidente do Sporting fala, fá-lo sempre em nome e representação do clube que dirige, mesmo que se exprima por formas mais pessoais, como é o caso do facebook. Por outras palavras: quando do presidente do Sporting se pronuncia sobre matérias do futebol e afins, mesmo que se trate de um desabafo para consumo interno, ou a sublimação de um estado de alma, a perceção que as pessoas têm é sempre que é o clube que opina.
Não partilho da opinião, muito veiculada, que o presidente do Sporting não pode responder ao diretor de comunicação do Benfica; o presidente do Sporting pode e deve responder a qualquer pessoa, sempre e quando os interesses do clube o exijam. Só que, em minha opinião, não deve alinhar por baixo, ou seja, partilhar o estilo e o verbo de quem ataca o clube. Eu sei que a linguagem do futebol é muito colorida, sugestiva e até sui generis, com máximas que têm ficado para a posteridade linguística nacional, do género " o que é verdade hoje, é mentira amanhã" ou " prognósticos só no fim do jogo".
Simplesmente, quando o Sporting fala, fala uma instituição com 109 anos de existência, com o estatuto de utilidade pública e um histórico ímpar no desporto português e aquilo que diz e a forma como diz, têm de refletir sempre estes parâmetros. O dirigismo no Sporting, ao longo dos tempos - com direções boas e más - tem, no essencial, sabido manter níveis de dignidade e elevação, que o distinguem dos outros clubes - salvo algumas lamentáveis exceções do tipo Cardinal -, e esse é um legado intemporal, que está para além de quem, circunstancialmente, dirige os destinos do clube.
O Sporting, mesmo quando se revolta e protesta, nunca pode deixar de ser o Sporting. O presidente do Sporting deve sempre saber interpretar o sentir dos adeptos, mas não pode obviamente exprimir-se como adepto. Por isso, há que evitar a tentação fácil do chocarreirismo, por muito impactante que possa parecer. É que, como tudo na vida, para se ser respeitado, há que dar-se ao respeito.