O futebol em Portugal ocupa um lugar central na identidade coletiva dos portugueses. Desde os sucessos internacionais já obtidos, até à paixão que se vive semanalmente nos estádios por todo o país, o desporto-rei continua a mobilizar milhões de adeptos. No entanto, apesar das conquistas já alcançadas e do talento reconhecido mundialmente a muitos dos nossos jogadores, o futebol português enfrenta atualmente desafios que levantam questões quanto ao seu futuro.
O nosso país nas últimas três décadas consolidou-se como uma potência formadora de jogadores. São muitos os exemplos de atletas formados em Portugal e que conquistaram destaque nos maiores campeonatos, dos cinco continentes. A exportação de muitos dos nossos jogadores tornou-se um dos pilares económicos do futebol luso, permitindo, aqui e ali, aos clubes portugueses gerar significativas receitas através da venda de jogadores, chamados de ativos, na gíria contabilística.
Apesar da qualidade de muitos dos jogadores formados em Portugal, e dos fluxos financeiros que esta exportação tem envolvido, temos de considerar a fragilidade financeira que os nossos clubes apresentam e a sua dependência, quase permanente, dessas transferências. Uma grande parte dos clubes portugueses dependem da venda de jogadores para equilibrar as suas contas, no entanto, este modelo, embora lucrativo em determinados momentos, pode ter implicações nos projetos desportivos que os suportam, tornando-os muito instáveis.
A pressão financeira, quase diária vivida nos clubes portugueses, leva muitas vezes à venda prematura de jovens talentos, impedindo que a maior parte das equipas a atuar em território luso, possam manter plantéis competitivos durante algumas épocas.
Outro desafio recorrente do futebol português é o ambiente de constante polémica que se vive, alimentado num país em que batemos o record de número de programas televisivos diários, para além da imprensa escrita, radiofónica e digital também ela diária. As questões relacionadas com a arbitragem, decisões disciplinares e rivalidades institucionais entre clubes alimentam uma atmosfera que quase diariamente domina o debate público. Salvo melhor opinião, este contexto prejudica a imagem do campeonato português, em contexto internacional e desvia a atenção do jogo em si, propriamente dito, um jogo que um dia chegou a Portugal vindo do Reino Unido.
Nos últimos anos, o futebol português, tem procurado, com algum sucesso diga-se, modernizar as suas estruturas, desde a nível distrital, ao nível nacional, mas muito ainda há a fazer no futebol em Portugal, não esquecendo por exemplo a valorização do produto televisivo.
E aqui chegados, veja-se o caso da LA LIGA em Espanha, que mesmo tendo muitos jogos a dar em direto nas TV´s, mostram-nos os estádios sempre cheios, contrariamente ao que se passa no nosso País. Na época 2024/2025, e se a minha fonte não se enganou, na Primeira Liga tivemos 3,7 milhões de espectadores nos campos portugueses, no entanto não se iludam porque na maior parte dos clubes desta Liga, os mais pequenos, a média por jogo andou entre os 2 e os 5 mil espectadores, já para não dizer que os três chamados grandes representam grande parte da assistência total da Liga. Há jogos nos campeonatos secundários e até distritais que muitos domingos têm mais assistência, que muitos jogos da primeira Liga.
Concluindo, o futebol português continua a produzir talento de elite e a gerar grande paixão entre os adeptos, contudo, para se consolidar a sua relevância internacional e fortalecer a competitividade interna, temos ainda um árduo trabalho pela frente. Estou convencido de que o futuro do futebol em Portugal dependerá da capacidade de equilibrar o sucesso desportivo, a sustentabilidade financeira e a credibilidade institucional.
