O nosso pesetero

O nosso pesetero
O nosso pesetero

Distantes vão os tempos em que os jogadores de futebol eram, em regra, gladiadores destituídos que qualquer pensamento estruturado. Incapazes de gerir, planear, liderar organizações complexas. Porém a hierarquia do futebol replica ainda a estrutura das casas de gladiadores da Roma Antiga. Uns nobres - mesmo que novos ricos - dominam os organismos que compõem as estruturas do jogo. Os ex-jogadores podem tornar-se técnicos ou, no máximo, moços de cortesias dos ditos senhores. Primeiro Beckenbauer, no Bayern, depois Platini, na UEFA, apontaram um caminho que Cruyff não quis ou não conseguiu trilhar.

Cabe agora a Figo entrar numa dura batalha pelo definitivo grito do Ipiranga da classe dos jogadores, ao enfrentar o frio economista suíço, Blatter, pela liderança da FIFA.

Para já, Figo parece um Syriza global a prometer mundos e fundos, com tudo para todos. A proposta de Figo para o alargamento do Mundial é de um populismo assustador. Um Campeonato do Mundo com 48 seleções é uma utopia que desvirtuaria o caráter excepcional da prova pela excelência dos finalistas.

Mas Figo tem ainda tempo para afinar o discurso. Ou, se aprendeu alguma coisa com os políticos portugueses de quem andou próximo, pode prometer e, depois, simplesmente não cumprir.

Por falar em política - a diplomacia portuguesa iniciou já uma nova valência, com a presença do discreto mas eficaz secretário de estado, Luís Campos Ferreira, na Guiné Equatorial, junto com Figo, por ocasião da final da CAN. Os africanos ficaram tentados pelas promessas de Figo e pela sabedoria política de Campos Ferreira.

Que não restem dúvidas: Portugal deve fazer um esforço para apoiar Luís Figo. Parafraseando Reagan sobre o ditador Noriega: Figo pode ser um "pesetero", mas é o nosso "pesetero".

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