Opinião

Gonçalo Saldanha Presidente da Federação Portuguesa de Surf

O regresso do Campeonato Nacional de Clubes de Surf

Após 15 anos, o regresso do Campeonato Nacional de Clubes de Surf representa, acima de tudo, um sinal claro de que o surf português continua a investir naquilo que sempre foi a sua verdadeira força: os clubes.

Em qualquer modalidade desportiva, os clubes são o primeiro ponto de contacto com o desporto organizado. É nos clubes que surgem os primeiros treinos, as primeiras competições e os primeiros percursos de formação. É também aí que se desenvolvem atletas, treinadores e dirigentes, e comunidades desportivas que sustentam o crescimento da modalidade.

No surf português, esse papel tem sido particularmente evidente. Ao longo das últimas décadas, os clubes espalhados pelos mais de 1500 quilómetros de costa nacional criaram as condições para que milhares de jovens tivessem acesso ao mar e à prática do surf, contribuindo para a expansão da modalidade e para a afirmação de Portugal como um dos países de referência no panorama internacional.

O Campeonato Nacional de Clubes é, por isso, uma competição que tem um significado especial. Ao contrário das provas individuais, coloca em destaque o espírito coletivo, a identidade de cada clube e o trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano na formação de atletas. O regresso desta competição é também uma forma de reconhecer o papel determinante que os clubes continuam a desempenhar no crescimento do surf em Portugal.

Importa também sublinhar que este campeonato representa ainda um primeiro passo. Não integra, para já, todas as disciplinas do surfing que estão sob a alçada da Federação Portuguesa de Surf, mas constitui um sinal claro de reforço da ligação entre a federação, as autarquias e os clubes. O objetivo da federação passa precisamente por, em parceria com estas entidades, criar melhores condições para o desenvolvimento da modalidade, mobilizando recursos financeiros e materiais que permitam fortalecer os projetos de formação. Só com esse trabalho conjunto será possível garantir que a formação de novos atletas seja uma realidade de norte a sul, e nas ilhas.

Mas olhar para o futuro do surf português implica ir além da competição. Implica pensar na forma como conseguimos alargar o acesso ao mar às novas gerações. É nesse que surge o programa Heróis do Mar, uma iniciativa que a atual direção da Federação Portuguesa de Surf está a implementar, com o objetivo de aproximar clubes, escolas e autarquias, criando pontes entre a comunidade educativa e o universo dos desportos de ondas.

O nosso objetivo é permitir que cada vez mais crianças tenham a oportunidade de contactar com o mar e com o surf, independentemente da sua origem ou contexto social. Portugal possui uma relação histórica com o oceano, mas essa ligação precisa de continuar a ser cultivada e transmitida às gerações mais jovens.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da modalidade exige também uma aposta clara no alto rendimento. O surf português tem demonstrado, nos últimos anos, uma capacidade crescente de competir ao mais alto nível internacional. Essa evolução resulta de um trabalho consistente que começa precisamente na base. Nos clubes, nos programas de formação e nos circuitos competitivos nacionais.

A Federação Portuguesa de Surf tem procurado reforçar essa estrutura. Criámos mais condições para que os atletas possam evoluir ao longo de um percurso desportivo coerente, desde os primeiros escalões até às competições internacionais.

O regresso do Campeonato Nacional de Clubes simboliza um reforço da estrutura que sustenta o surf nacional. Uma modalidade construída a partir dos clubes, desenvolvida através da formação e da competição, e projetada para o futuro com uma visão integrada que inclui o alto rendimento e o primeiro contacto com o mar desde cedo.

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