O vendedor de promessas

Na desesperada tentativa de estar bem com Deus e com o Diabo ao mesmo tempo, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, Prof. Dr. Fernando Seara, é incapaz, por uma vez que seja, de manter a palavra e de cumprir promessas. Atribuo essa incapacidade à contaminação a que esteve exposto durante a sua longa carreira política.

Quando, em outubro de 2021, aceitou o convite para presidir a Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, o Prof. Dr. Fernando Seara disse que "Neste momento do Benfica não se pode dizer que não. Um momento que exige de cada benfiquista uma disponibilidade para servir."

No entanto, e mais de 800 dias depois de ter proferido estas palavras, acredito que o taticismo politico que lhe corre nas veias se tenha sobreposto aos resquicios de benfiquismo apaixonado que durante anos demonstrou na defesa acérrima do Sport Lisboa e Benfica nos tempos idos de estrela televisiva.

O Prof. Dr. Fernando Seara é a concretização da caricatura do Presidente da Junta. Raramente responde por escrito às interpelações que lhe são feitas dessa forma, opta quase sempre por telefonar a quem o questiona, e quando é abordado na rua faz o clássico exercício de se colocar do lado do ‘queixante’, a quem confidencia que "até tem razão e que percebe perfeitamente", para logo em seguida justificar a sua inação com o facto de "nada conseguir fazer" ou o outro clássico retirado do Politics for Dummies "estou de mãos e pés atados".

Quando abordado sobre o tema da marcação das Assembleias Gerais continuar a ser realizada em dias de semana, e depois do consócio afirmar que, dessa forma, impossibilita uma maior participação, em especial para os que vêm de longe, o Presidente da Junta, perdão, da Mesa da Assembleia Geral do Benfica responde "Pois, eu compreendo. A mim também me custa muito porque no dia seguinte trabalho cedo e as Assembleias Gerais dão sempre para tarde. Claro que isto seria bastante mais agradável numa tarde de fim-de-semana, até porque o Benfica não é só Lisboa. Mas é complicado, sabe? Os pavilhões estão sempre ocupados, a equipa de futebol joga de quinze em quinze dias em casa, e é tudo muito complicado. Mas eu sou a favor, atenção. Só não é possível".

E quando o tema é a aprovação das actas de 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023? É um momento único, um verdadeiro privilégio. Seria o equivalente a observar a águia Vitória no seu habitat natural. Sabemos o que vai acontecer, já o vimos na televisão, mas quando assistimos ao vivo acaba por ser avassalador. Desde o clássico "isso foi antes do meu tempo, não é da minha responsabilidade", passando por "é trabalhoso pois implica uma transcrição rigorosa das intervenções realizadas", ao "estamos dependentes da calendarização das modalidades para ver qual a disponibilidade de um pavilhão para um sábado para apreciação das atas em falta" e a pièce de resistance "o foco é o 38º/39º, ficará para depois do final da época desportiva", tudo serve para o Prof. Dr. Fernando Seara continuar a vender promessas.

Uma Assembleia Geral ser realizada a um dia de semana ou a um fim-de-semana depende, apenas, da vontade do Presidente da Mesa da Assembleia Geral. A apreciação de atas de 2019 em diante idem. Dito assim, parece uma banalidade. Mas, após exame mais profundo, é mesmo uma banalidade. So que não é a banalidade que parece. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral tem apenas uma preocupação em mente: contribuir para o fim da militância ativa no Sport Lisboa e Benfica porque, taticamente, a mesma não é do seu interesse.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, que devia ser o primeiro a dar o exemplo para fomentar uma maior participação dos associados na vida do Clube, olha para estes momentos de expressão de Benfiquismo com bastante enfado.O que mais custa é saber que o Benfica já foi exemplo de democracia, não só para agremiações desportivas, mas inclusivamente para o próprio país quando este ainda não era democrático.

Tal como os personagens de Kafka "Na colónia Penal" e no famoso "O Processo", também os benfiquistas compartilham o drama de se verem tolhidos por forças arbitrárias e desconhecidas. Percebe-se, Assembleia Geral após Assembleia Geral, o desespero dos sócios diante do absurdo que os rodeia. E caberá ao Prof. Dr. Fernando Seara cumprir com o que prometeu há mais de 800 dias atrás, servir o Benfica.

E servir o Benfica é, de uma vez por todas, cumprir com a sua palavra: marcar a próxima Assembleia Geral para um sábado ou domingo e colocar à apreciação dos sócios todas as actas que ainda não foram aprovadas. No entanto, se como Joseph K. também o Prof. Dr. Fernando Seara não for livre e for uma vitíma das circunstâncias, siga o exemplo dignissimo do Prof. Dr. Rui Pereira, denuncie a situação e demita-se.

Uma última nota para o Secretário Geral, João Salgado, cuja (in)competência é a de organizar Assembleias Gerais. Para bem do nosso querido clube, a sua substituição é urgente.

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