Os jogadores em situação de empréstimo

Os jogadores em situação de empréstimo
Os jogadores em situação de empréstimo

Neste momento, não há condições para que um jogador em situação de empréstimo possa jogar contra o seu clube-patrão. E não existem condições a nenhum nível dentro de uma competição íntegra e credível. Se eu fosse jogador profissional de futebol em situação de empréstimo, pediria ESCUSA e não jogaria contra o meu clube, contra o clube com o qual tenho contrato de trabalho. Os riscos são muito grandes e todos atentam contra a dignidade/integridade pessoal e profissional dos jogadores.

Em futebol ninguém está livre do erro, da falha e/ou de um dia menos bom. Ninguém…nem o CR, nem o Messi, nem o Neuer, etc. Qual é o quadro que temos em Portugal, se o jogador emprestado é do Benfica, joga e falha, os comentadores e adeptos do Porto e Sporting maltratam-no, ofendem-no e atiram-lhe todo tipo de ofensas e acusações. Se o jogador é do Porto e falha, os comentadores e adeptos do Benfica fazem o mesmo. Mais ainda, se o jogador não "falha" contra o seu clube, no final é atacado e ofendido pelos responsáveis e adeptos do seu clube-patrão e ainda o acusam de “traidor” e fazem-lhe todo tipo de ameaças.

Por estas e demais razões, não há a menor condição para que os jogadores emprestados joguem contra os seus clubes-patrão. O Sindicato dos Jogadores há muito deveria aconselhar os seus filiados a defenderem a sua integridade profissional e pessoal, pedindo Escusa de jogar contra os seus clubes de origem, pelo menos enquanto se mantiver este vazio legislativo.

E não estamos a falar em nada de novo. Quando há conflito de interesses em qualquer área, a atitude mais digna é pedir Escusa. Que fazem os Magistrados?
Que fazem outros altos responsáveis? Que fazem todas a pessoas sérias e dignas? Evitam interferir positiva ou negativamente sempre e quando há conflito de interesses.
Na minha opinião a MELHOR SOLUÇÃO está prevista na legislação alemã e inglesa e evita todas estas discussões, defende o futebol e a verdade desportiva.

Em Tese:

a) Nenhum jogador emprestado pode jogar oficialmente contra a sua equipa;
b) Nenhum jogador cedido pode jogar oficialmente contra o clube cedente, independentemente de quem pague os salários ao jogador.

Tão simples e tão eficaz.

Com esta simples medida nos regulamentos evitam-se todo o tipo de especulações e defende-se a verdade desportiva e a integridade das competições. Ou não acham que o pior que pode acontecer ao futebol é levantarem-se suspeitas que um jogador emprestado/cedido teve uma falha, maior ou menor, decisiva ou pouco importante, num jogo contra o seu clube, contra o clube que detém os seus direitos e com o qual tem contrato?

Há os ingénuos ou incautos que levantam logo questões sem sentido por falta de conhecimento. "Não se pode proibir um jogador de jogar, pois imaginem uma equipa que tem 6,7 ou mais jogadores emprestados?”. Ingenuidade!

Pois,

a) Nenhum clube é obrigado a ter jogadores emprestados;
b) Os clubes que normalmente costumam ter jogadores emprestados sabendo das regras passariam a ter menos emprestados ou a negociar os empréstimos de forma diferente com os clubes proprietários;
c) Os clubes, sobretudo os grandes, que têm necessidade de colocar jogadores, passariam a reduzir o quadro de jogadores, libertando excedentes para o mercado;
d) As regras passariam a ser iguais para todos os clubes deixando de haver situações de favorecimento positivo ou negativo.

A situação atual é que não pode continuar. Nos países onde existe a PROIBIÇÃO dos emprestados jogarem contra as suas equipas, não há qualquer especulação, os grandes clubes continuam a emprestar jogadores a clubes menores, os clubes emprestam jogadores entre si, houve logo uma tendência para os clubes apenas terem sob contrato um número razoável de jogadores e não um número exagerado como vem acontecendo em Portugal.

Bastam regras claras e feitas com competência para acabar com a especulação e discussões que nada abonam a favor da credibilidade das competições.
Afinal, com a existência das equipas B e com o mercado global, nem os clubes com excedente de jogadores tem tanta necessidade de fazer empréstimos para clubes da mesma Liga, nem os clubes menores têm necessidade de terem nos seus plantéis muitos jogadores emprestados por clubes da mesma Liga.

Aliás, se esta regra fosse obrigatória e uniforme para todos os filiados da UEFA, haveria maior mobilidade dos jogadores excedentes entre países, alargando ainda mais o poder de utilização dos jogadores emprestados.

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