Painel: Domínio da Olivedesportos é positivo?

Nicolau Santos, subdirector do "Expresso"

A Olivedesportos está numa posição de grande destaque no futebol português. Comprou acções nas sociedades do FC Porto e do Boavista e promete não parar por aqui. Quanto aos direitos televisivos, temos de ter em conta que o mercado é completamente livre, não existem obstáculos à entrada de novos operadores. Se a Olivedesportos está a investir nos clubes é porque é um negócio bastante rentável que, a curto ou médio prazo, vai atrair operadores nacionais e mesmo estrangeiros. Não considero que seja positivo que haja apenas uma empresa com este peso a tomar posições importantes nas SAD do futebol português. Mas se os clubes negoceiam com a empresa de Joaquim Oliveira é porque têm boas condições.

Fernando Pedrosa, presidente do Conselho Fiscal da Liga de Clubes

Não é positivo nem negativo, é inevitável. E sendo uma inevitabilidade, acaba por não ser prejudicial. As sociedades desportivas não têm dado lucro e os clubes precisam do dinheiro como nós precisamos de ar para viver. A Olivedesportos é a única empresa que apostou onde ninguém parece querer apostar. Se os clubes não aceitarem isso, se calhar morrem. O ideal, que nem sempre é possível concretizar, seria que os direitos fossem comprados por uma entidade única – por exemplo, a Liga –, que depois negociaria com os restantes operadores. Isto tornava a venda dos direitos num negócio mais equitativo.

Luís Marques, jornalista

O peso da Olivedesportos no futebol português é claramente um factor negativo para o negócio do futebol, sobretudo porque configura uma posição crescente de controlo da Olivedesportos sobre algumas das actividades mais rentáveis do futebol. Era indispensável – mas disso a Olivedesportos não tem culpa – que houvesse concorrência de forma transparente. Para os clubes esta situação é boa porque obtêm receitas garantidas a médio prazo, mas é negativa porque a falta de concorrência faz com que essas receitas possam estar abaixo daquilo que o negócio efectivamente vale.

Ribeiro Cristóvão, chefe do desporto da Rádio Rensacença

Cada vez mais o mercado audiovisual se encaminha para o sentido de haver apenas um detentor dos direitos televisivos. Se atentarmos ao facto de a FIFA ter vendido os direitos dos mundias de 2002 e 2006 a uma só empresa – neste caso, o gigante alemão Kirch –, que, neste momento, já conseguiu vender os direitos do Mundial do próximo ano à maioria das televisões de todo o Mundo, se calhar não estranhamos o que acontece em Portugal. Não me parece que isso seja prejudicial para o futebol; se calhar, até pode ser proveitoso. Os clubes não se podem entregar nas mãos da Olivedesportos, têm de reivindicar os seus direitos. No entanto, parece-me uma situação inevitável, pois caminhamos, cada vez mais, para uma concentração do poder televisivo.

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