No futebol contemporâneo, a exigência da preparação vai muito além dos noventa minutos de jogo. O aumento do número de competições, a densidade dos calendários competitivos e a crescente diversidade dos plantéis — que reúnem jogadores de diferentes idades, percursos e perfis — criaram um contexto mais complexo e desafiante para quem lidera e organiza o treino. Sustentar o rendimento das equipas exige hoje conhecimento especializado, planeamento rigoroso e gestão estratégica.
É neste quadro que as equipas técnicas multidisciplinares assumem um papel central e inquestionável no futebol moderno. Ao lado do treinador principal, treinadores-adjuntos, analistas, treinadores de guarda-redes, preparadores físicos e outros especialistas contribuem de forma decisiva para a qualidade do jogo, para a evolução individual dos atletas, para a prevenção de lesões e, sobretudo, para uma gestão sustentada dos jogadores, que são verdadeiros ativos desportivos e económicos dos clubes.
Contudo, persiste ainda uma fragilidade estrutural difícil de ignorar: muitas destas profissões continuam sem regulamentação clara, sem valorização profissional adequada e sem enquadramento legal e formativo devidamente reconhecido. Falta proteção, reconhecimento institucional e uma política estruturada que acompanhe a importância efetiva destes profissionais na dinâmica das equipas desportivas.
Por isso, desafiamos as entidades governamentais, a Federação e a Liga a avançar com medidas concretas que permitam regulamentar, certificar competências e garantir futuro às inúmeras profissões que operam nestas áreas. Enquanto ANTF, entendemos que valorizar estas profissões associadas ao treinador não passa apenas por reconhecer a realidade, é uma condição essencial para credibilizar, sustentar e projetar o futuro do treino e dos treinadores de futebol em Portugal.