Aquele penoso fim de jogo, com um jogador-chave a quase agredir fisicamente Jorge Jesus, verbalmente terá agredido, com os benfiquistas a passarem do amor ao ódio sobre o seu técnico e jogadores, foi um doloroso momento de final de ciclo. Três derrotas depois, o Benfica passou das portas do sonho ao pesadelo real.
Só Luís Filipe Vieira parece ainda não ver que a manutenção de Jorge Jesus é insuportável e dificulta até o planeamento desportivo e financeiro da próxima campanha.
É por estes dias que Vieira vai saber quem, nos corpos dirigentes do Benfica, lhe é de facto leal. Na corte da Luz deve andar um mar de sussurros e conspirações. Vieira está seguro, por agora. Mas tem de largar a sua principal teimosia – manter um técnico que só venceu a Liga na primeira das quatro épocas que já leva no clube.
Se a estrutura montada pelo atual presidente é forte, então qualquer técnico competente pode vencer onde Jesus perdeu, e perdeu, e perdeu. A uma braçada da praia.
O Benfica dificilmente perderia tanto se o seu técnico tivesse mantido a coragem e a coerência. Este último jogo continuará por muitos anos a ressoar na mente dos benfiquistas como uma dor inexplicável. Frente a um pobre Guimarães – Aimar, o jogador que Jesus lançou a quatro minutos do final, já com a derrota espetada, custa quase tanto como toda a equipa contrária –, o Benfica começou a encolher-se logo no início da segunda parte, e Cardozo saiu de campo ainda antes do minuto 70. Porquê? Para poupar o goleador para as férias? Melgarejo? Como explicar o ocaso deste canhoto na parte decisiva da época?
Este ano, Jesus bateu Peseiro no doloroso top das quase vitórias. O atual técnico do Benfica conseguiu estar ainda mais quase, quase, do que Peseiro nos seus tempos do Sporting. E, quase, o futebol não tolera.
