Rajada de G3

O FUTEBOL português foi, esta semana, sacudido por boas notícias. As reuniões que juntaram os presidentes das SAD de Sporting, FC Porto e Benfica devem traduzir o advento de uma nova mentalidade, mais arejada e moderna, que valorize os interesses comuns e chute para canto algumas divergências menores.

As relações entre os grandes, nos últimos anos, têm sido pautadas por amores e desamores, alianças e zangas, sempre ao sabor de conjunturas e estratégias que nada beneficiaram o futebol nacional.

O que se espera agora é que se passe para um patamar superior, capaz de assumir de forma adulta as grandes questões do século XXI, que vão ser trazidas à opinião pública dentro de pouco tempo.

A participação dos maiores clubes portugueses nas Ligas Europeias está já na ordem do dia. Trata-se de uma matéria estrutural que, a concretizar-se, mudará de forma radical o mapa desportivo nacional.

Nesta altura, se bem que em Portugal esta possibilidade seja para a maioria das pessoas distante, o presidente do Glasgow Rangers já anunciou a adeptos e accionistas que o clube deixaria de disputar a Liga escocesa em 2002-2003, para integrar a Liga Atlântica.

Puxados pela locomotiva dos dinheiros televisivos, os maiores clubes europeus vão avançar para novos quadros competitivos, deixando a UEFA sem argumentos para os contrariar. Ou se junta e tenta cavalgar a onda gerada pelos G-14 e Liga Atlântica, ou afunda-se, inapelavelmente, sem honra nem proveito.

Perante este cenário, Sporting, FC Porto e Benfica estão obrigados a seguir os movimentos dos restantes clubes. Se estes avançarem rapidamente para as Ligas europeias, os G3 lusitanos deverão segui-los, sob pena de hipotecarem definitivamente o seu desenvolvimento.

Nesta fase deve ser, pois, equacionada a hipótese de, dentro de dois ou três anos, a I Liga portuguesa não contar com Sporting, FC Porto e Benfica. Nada será como dantes e todas as questões serão legítimas.

Os adeptos dos Grandes reagirão mal? Os direitos televisivos para a I Liga serão drasticamente reduzidos? Uma nova rivalidade vai nascer? Ter o Boavista, V. Guimarães, Sp. Braga, Belenenses ou Marítimo a jogar declaradamente para o título trará benefícios à competição?

Para já, perguntas sem resposta, numa perspectiva de futuro pura e simplesmente fascinante.

A determinação de Xavier

Abel Xavier não é só um jogador de visual excêntrico. Por baixo daquela cabeleira loura há mais do que um objecto para dar cabeçadas na bola. O lateral-direito da selecção nacional mostrou ser um homem determinado, capaz de assumir o seu direito à indignação de forma corajosa.

Graças a Abel Xavier, a arrogância da UEFA sofreu mais um revés e provou-se que, afinal de contas, o árbitro Gunter Benko meteu os pés pelas mãos nos sucessivos depoimentos que prestou a propósito dos incidentes do Portugal-França.

António Oliveira vai ter, a partir de Dezembro, Abel Xavier à sua disposição. Um regresso anunciado à equipa das quinas, que antecipadamente se saúda.

Recorte

A edição de Dezembro da revista “World Soccer” coloca Rivaldo na capa, a propósito das dificuldades do Brasil (e da Inglaterra e da Alemanha...) em conseguir um lugar no Mundial de 2002.

Porém, a continuidade do número 10 do Barcelona no “escrete canarinho” é cada vez mais problemática e Rivaldo, farto de críticas no país natal, admite renunciar à selecção. Para bem do futebol, oxalá mude de ideias...

Lua cheia

António Oliveira “baptizou”, contra Israel, três novos internacionais e Jorge Silva (que com Baía lesionado e Pedro Espinha no banco pode tornar-se uma escolha constante), Delfim e João “Jardel” Tomás estão de parabéns.

Apesar do excelente nível da equipa de todos nós, Oliveira continua atento à renovação. O que representa boas notícias para a turma das quinas.

Quarto crescente

Armando Vara, ao contrário do seu antecessor, continua apostado em ser parte da solução e não do problema. Um a um, os assuntos têm sido apresentados e resolvidos, criando-se a convicção de que ao Euro-2004 está traçado o mesmo destino da Expo 98: ser um sucesso.

Para já, o Sporting vai avançar com as obras do estádio. Finalmente, vê-se trabalho, nasce a obra.

Quarto minguante

Dani é notícia por motivos disciplinares. Pelo menos são desta índole os argumentos da Direcção do Benfica que justificam a sua suspensão.

A carreira do internacional português volta aos sobressaltos e, provavelmente, não será na Luz que conhecerá o relançamento há muito anunciado. Porém, o que se sabe é pouco e melhor será que se espere pelas cenas dos próximos episódios.

Lua nova

O azar não larga Vítor Baía. Quando se aguardava o retorno do “keeper” azul-e-branco às lides, o joelho direito voltou a traí-lo, adiando o seu reencontro com os milhares de adeptos que nele têm um ídolo.

Com uma nova intervenção cirúrgica no horizonte, Baía precisa de coragem para mais uma travessia do deserto. Na certeza de que ainda tem muito para dar ao futebol português...

Deixe o seu comentário

Pub

Publicidade