Opinião

João Gabriel Consultor de comunicação

Tempo de mudar de vida!

No final da passada semana a Federação Portuguesa de Futebol decidiu tornar pública uma intimação da Segurança Social que a obriga a pagar mais de 2,6 milhões de euros relativos ao último ano de contrato de Fernando Santos. A informação é relevante e por isso tinha de ser pública. O problema não está na divulgação. Está na forma, e na intenção com que foi divulgada.

A notícia não surgiu de forma neutra nem institucional. Não foi transparência: foi narrativa. E uma narrativa com alvo bem definido — Fernando Gomes, ex-presidente da FPF, com quem Pedro Proença mantém uma guerra que parece não ter fim.

Fernando Gomes pode ter sido imprudente ou simplesmente mal aconselhado pela equipa de advogados que assessorou o contrato com Fernando Santos, mas o que garantidamente nunca quis foi prejudicar a federação que presidiu durante 12 anos. Mais, deixou a FPF saudável e com musculo financeiro!

Se é legítimo exigir responsabilidade pelos encargos herdados, também é legítimo perguntar com que autoridade moral o faz quem deixou a Liga debilitada financeiramente. Um “buraco” provocado por despesas que pouco ou nada beneficiaram a instituição ou os clubes, mas que serviram, sobretudo, uma ambição pessoal: a corrida eleitoral para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Mais um elefante branco - a nova sede - cujo empréstimo vai pesar e comprometer as contas da Liga nos próximos 30 anos! Reinaldo Teixeira, na Liga, herdou uma situação financeira delicada que limita a sua ação e o seu trabalho à frente da Liga. O Presidente da Liga teve e continua a ter sentido institucional!

O paradoxo é evidente. Pedro Proença aponta o dedo ao passado, quando no passado e também no presente, acumula decisões que dificilmente resistem ao mesmo escrutínio que hoje exige. Em menos de um ano à frente da FPF, multiplicam-se os sinais de gasto supérfluo: uma equipa de reportagem que o acompanha para todo o lado, viagens e alojamentos pagos a presidentes de associações — e respetivas famílias —, cabazes de Natal distribuídos a jornalistas e comentadores de todo o país e um infindável rol de outras despesas cuja utilidade para o futebol português é zero!

A transparência não pode ser seletiva. O que está em causa é o uso político da informação financeira como arma de arremesso, ao mesmo tempo que se normaliza um estilo de liderança baseado no excesso de exposição pessoal e na despesa como instrumento de poder. Já agora, uma palavra para a presidente do Conselho Fiscal da FPF, que foi durante oito anos de Gomes auditora da federação. Pelo que o comunicado ontem emitido a senhora ou é incompetente ou falta à verdade!

Já é tempo de Pedro Proença deixar Fernando Gomes para trás e começar a pensar e a trabalhar no legado que quer deixar. Mais substância na ação e menos exposição! É tempo de mudar de vida!

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