Relva natural

Vanda Cipriano
Vanda Cipriano Editora

Viva Portugal... ou depende

Faz domingo uma semana que o país viveu a mais gloriosa página em termos futebolísticos; faz domingo uma semana que Portugal se uniu, ergueu bandeiras, entoou o hino e gritou por Éder; faz domingo uma semana que a equipa de Fernando Santos largou lágrimas de alegria num estádio que estava engalanado para festejar um título europeu, mas em tons de azul e encarnado. Soube melhor, pois claro! Passou só uma semana e tudo voltou a uma estranha normalidade no mundo e também em Portugal.

Custou-me ver Rui Jorge a falar de uma Seleção como se estivesse a prepará-la para um troféu menor e que, por isso, enfrenta a condicionante das datas. Entendo a resistência dos clubes em início de época, alguns a lutar por pré-eliminatórias europeias. Mas entendo ainda melhor a amargura dos jogadores que colocaram Portugal nos Jogos do Rio e que agora vão ver a prova... à distância. Não merecia esta ‘traição’ Rui Jorge. Uma traição dos clubes, mas também da FPF e do Comité Olímpico. Todos têm responsabilidades.

A ladainha de que os Jogos Olímpicos não são data FIFA não convence, quando há 4 anos, a mesma FIFA obrigou os clubes à cedência de jogadores para Londres. Num ano de Copa América e Europeu, e com os clubes fustigados, nenhuma das competições apareceu aos trambolhões a cair do céu. Devia, por isso, reinar o bom senso. Ou será que muitos dos jogadores riscados da lista de Rui Jorge não são segundas, quiça terceiras opções nos clubes?

Celebremos, por isso, um feito histórico, mas cada vez mais virados para o amor clubístico, já quase esquecendo o amor à Seleção... a Portugal. De sorteio na mão, os três grandes preparam uma época de exigências iguais, mas responsabilidades diferentes. Em Alvalade e no Dragão será difícil explicar novo desaire. Jesus foi uma aposta demasiado alta no Sporting e, no FC Porto, Pinto da Costa pode ver a sua liderança questionada se ficar mais um ano sem o título. Ganha com isso Rui Vitória, não que a época do Benfica seja mais fácil. Pelo contrário. Terá que mostrar que nada foi obra do acaso. Nem o título nem Renato Sanches. O tal que levou Karl-Heinz Rummenigge a dizer que hoje não teria dinheiro para o comprar. E talvez não tivesse, tamanha foi a sua valorização.
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