EA Sports FC 24: Vira o disco, toca o mesmo (já dizia a minha avó Lucinda)

Já colocámos as mãos no simulador mais aguardado e vamos contar tudo

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Muitos garantiam que a mudança de FIFA para EA Sports FC quase passaria despercebida para os amantes dos videojogos e a verdade é que foi isso mesmo que aconteceu. E em vários patamares...

Logo a começar porque não há grandes diferenças entre o FIFA 23 e este EA Sports FC 24. Existem mudanças ao nível da jogabilidade e um ou outro detalhe gráfico mas a génese do jogo segue viva e, diga-se em abono da verdade, mostra aquilo que muito realçam há vários anos - o simulador da Electronic Arts é, ano após ano, uma versão ligeiramente diferente mas sempre com a mesma base.

Os que acompanham o Record Gaming há mais tempo sabem que aqui se joga muito Modo Carreira e é por aí que vamos começar. Está tudo praticamente igual, com a criação da possibilidade de termos treinadores para compor a nossa equipa técnica e pouco mais. As mesmas salas para negociar contratos, os mesmos rostos dos adjuntos e as mesmas animações quando vendemos ou compramos um jogador.

No Modo Jogador temos também pequenas melhorias, com inovações ligeiras nos contratos e objetivos, com ajuda de um agente, e pouco mais. Esta indústria é feroz, por vezes nem sonhamos com tudo aquilo que uma pequena mudança num jogo acarreta e sei que os milhões ganham sempre na luta contra o 'povo', mas ao cabo de 15 anos a fazer análises de videojogos, também me apetece puxar dos galões para realçar que a EA goza há anos com aqueles que lhes dão de comer. Porque mudar layers de rosto de personagens no Modo Carreira ou retirar bugs absurdos que seguem vivos ano após ano não é assim tão difícil de fazer.

Aliás, gozar é a palavra certa para definir uma 'novidade' do Modo Carreira - a possibilidade de ter a visão do treinador e assistir à partida desde a linha lateral, junto ao banco. Que disparate olímpico! Logicamente não conseguimos ver nada e ao cabo de segundos saímos dali, porque é manifestamente ineficaz.

Então o que temos de melhor? Algumas coisas... Graficamente, é fácil de ver que os estádios são ainda mais efervescentes, com detalhes muito peculiares, os rostos dos principais jogadores seguem uma lógica de melhoria e estão ainda mais perfeitinhos e, acima de tudo, foram integradas novidades nas interrupções dos encontros.

Existem novas sequências dinâmicas, seja de reação dos jogadores aquilo que está a contecer na partida, seja a conversa entre craques depois de um lance aguerrido ou até a visão do árbitro quando assinala um livre. Existem ainda interessantes registos infográficos, habituais em algumas trnasmissões do mundo 'real', e que nos colocam ainda mais dentro da ação. É com eles que ficamos a saber mais sobre a fadiga dos jogadores, estatísticas sobre as zonas de remate e até a muito vanguardista análise de golos esperados (xG), que metade das pessoas não percebe à primeira. Basicamente, parece ainda mais um jogo verdadeiro e isso tem de ser realçado.

Só falta mesmo olhar para o Ultimate Team que, como sempre, é o modo mais querido para a EA, uma vez que gera anualmente milhares de milhões em lucros. A base não muda mas existem novas funcionalidades, como o 'Evolutions'. Trata-se de um sistema onde temos a possibilidade de melhorar os nosso jogadores através de desafios que até têm algum dinamismo.

Alguns menus foram alterados e tornou-se mais simples navegar por entre as várias posibilidades que temos pela frente. E, claro está, a já muito mediatizada integração do futebol feminino e respetivas jogadoras no Ultimate Team. Uns gostam, outros criticam e alguns brincam... Mas nestes tempos estranhos em que vivemos poucos têm a coragem de assumir que não gostam ou até tocar no assunto. De resto, quando preparava esta análise olhei para muitas outras de companheiros que têm a mesma missão do que eu e reparei que alguns deles até omitem o facto.

Eu só tenho medo de baratas e por isso, não me custa nada destacar que apesar de realismo não ser aquilo que o UT pede, uma vez que Luís Figo pode alinhar ao lado de Ronaldo e Eusébio na mesma equipa, colocar tudo misturado não é aquilo que o apaixonado por FIFA/EA Sports FC quer, como de resto temos vistos nas redes sociais nas primeiras horas em que os principais influenciadores e afins colocaram as mãos no jogo.

Ao invés de deixar que esta cultura 'woke' se entranhe na sua 'casa', a Electronic Arts devia sim apoiar o futebol feminino com aquilo que tem de sobra - dinheiro. Estão licenciadas cinco ligas femininas e umas quantas equipas nacionais. Ajudar ao crescimento do futebol feminino é pagar pelos direitos das atletas e dos clubes e ajudar assim, de forma direta, ao crescimento do fenómeno. Misturar alhos com bugalhos só porque é 'fashion' é apenas risível. Joguei a expansão do Campeonato do Mundo Feminino e adorei, gosto da evolução crescente da modalidade nos videojogos e, como diz o outro, até tenho amigas que são... futebolistas. Mas a misturada não faz sentido.

Quando ainda não tinha possibilidade de juntar o dinheiro suficiente para comprar o FIFA, era a minha avó Lucinda que dava aquela 'ajuda' extra. Depois, orgulhoso, mostrava-lhe o jogo e agradecia. E ouvia sempre a mesma frase - "Mas gastas um balúrdio nisso todos os anos e é tudo igual... Vira o disco e toca o mesmo, não te entendo." Nem eu avó, mas pelo menos agora pagam-me para jogar. 

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