Lisboa Games Week: À conversa com Zorlak

O grande mestre do CS:GO do nosso país

Zorlak é uma figura que dispensa qualquer tipo de apresentação. É um verdadeiro especialista em Counter Strike e alguém que não se cansa de dinamizar a comunidade e fazer com que todos os fiéis seguidores do popular jogo sejam cada vez mais e, acima de tudo, cada vez melhores. Há quem lhe chame ‘Mourinho do CS’ e é com simpatia que Zorlak reage ao epíteto.

"Mourinho do CS não sou, não sou treinador. Há treinadores portugueses muito bons. Eu trabalho individualmente os jogadores. Tenho ensinar os menos experientes para eles evoluírem e para lhes abrir um caminho... em seguidores, são 300 mil. Mas na Twitch é diferente, o que interessa é o número de viewers ao mesmo tempo e isso depende das horas em que streamo."

Carinho do público

"Não quero dizer a palavra orgulho mas uma pessoa fica com o coração quente. Não perdemos a humildade ou a noção de quem somos. Eu sou um tipo de Odivelas, o Nuno da Póvoa do Varzim, somos gajos normais, somos pais de família."

Trabalho diário que requer paixão

"Eu trabalho para um nicho específico. Para eu crescer, para eu ser profissional, tenho de proliferar assim. Com eventos, jogadores, equipas, sangue novo, novas pessoas a instalar o jogo, a experimentar e a aprender. O que faço é estar horas e horas todos os dias ao vivo a tentar motivar as pessoas para que elas, num ambiente de diversão e palhaçada, consigam aprender de forma séria princípios que ficam para todo o tempo que queiram jogar o jogo. Aquilo é pesado em termos de conteúdo mas com um ambiente de diversão e piada"

Dia a dia muito exigente

"Eu trabalho no sótão de casa.. Desde que tenho a bebé mudei-me para o sótão por causa do barulho. E quando desço do sótão, por vezes parece que venho tonto, que streamo muitos mais horas do que devia. Quando acabo é porque não aguento mesmo mais. Todos os dias, 8 e 10 horas, o normal é fazermos 12h. Não faço ao sábado, que é o dia da família. Sobre o profissionalismo, sei que tenho miúdos que me ouvem e querem opiniões e costumo dizer que para tu teres um trabalho de criatividade, sendo youtuber ou streamer está relacionado com criatividade acima de tudo, é como se fosses músico ou pintor. É bom dedicares-te ao teu objetivo, teres um plano A e a tua criatividade ser o plano B. Depois investir no teu hóbi, vais criando laços, patamares para ires subindo e quiçá chegar ao profissionalismo. Sim, é possível mas sempre como plano B. Focar-nos nas responsabilidades académicas, sociais, amorosas - que namoradas também importam -, familiares, profissionais. Porque há muita gente que quer ser youtuber ou streamer que já trabalha mas quer fazer este caminho. Essas são as nossas prioridades. Depois, termos os nossos hóbis, investirmos nele e vê-lo crescer. É o que dizem os psicólogos da era moderna: se queres ser criativo, sempre como plano B. Se fores verdadeiramente bom, proliferas. Há 10 milhões de músicas para fazer download na internet e 9 milhões delas não têm um único download. Há ali 9 milhões de tipos que estão a ser criativos para nada. Pode vir a dar, espero que tenham um plano A e a melhor sorte para elas. Investir com responsabilidade. 

Um feitio muito particular e o empenho na comunidade

"Sou um bocado ácido, sou exigente e brinco e tal. Mas é diferente, como streamer tenho uma facilidade em falar com as pessoas. Eu venho aqui para provar que sou igual ao que sou na stream. E o Nuno Agonia vem para desmistificar a tela. É bom para nós, para quem gosta do YouTube, do stream. Isto serve também para mostrar aos pais a paixão dos miúdos. Vou usar esta metáfora e o Nuno Agonia vai concordar comigo. Ainda temos pais em Portugal, infelizmente, do género 'ah, o meu filho está muito satisfeito na natação'. E o outro dia 'ah, o meu está sempre agarrado ao computador'. Quando vemos, o 2º tem boas notas, é educado e joga muito bem. O outro vai para a natação por causa de uma miúda que lá está e parece um penedo. Temos miúdos que têm um talento brutal e é preciso dizer que com o jogo, os melhores jogadores portugueses ganham dezenas de milhares de euros por mês, com carreiras internacionais, a jogar em equipas estrangeiras. Não há organizações em Portugal capazes de os segurar do ponto de vista monetário. É o sonho deles. Deve ser posto à frente dos estudos, do trabalho ou da namorada? Não, nunca na vida. Mas serve para os pais perceberem que os miúdos são apaixonados pelas suas coisas. Eu tenho 36 anos e sei que a minha filha vai ter paixões que eu não compreendo. Há uma diferença de gerações, nós também já não vamos para novos, já temos os nossos bebés mas os pais querem o melhor para os seus filhos e que eles façam o seu caminho. Têm de entender que há pessoas que também são adultas do lado de cá para de certa forma poderem dar o exemplo aos miúdos. É fundamental os pais virem cá falar connosco, estou cá para conhecer pais, para as pessoas perceberem porque razão estão lá com o gajo. "

Por Francisco Laranjeira
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